Confira o pronunciamento* da juíza Fabíola Evangelista Martins, uma das apoiadoras do projeto de pesquisa genealógica de Manoel Pires de Moraes e da Família Pires.

Excelentíssimo Senhor Governador do Estado de Goiás, Dr. Marconi Ferreira Perillo Junior, na pessoa de quem cumprimento todas as autoridades aqui presentes;

Prezados idealizadores e parceiros que tanto se empenharam na edição desta obra;

Estimados familiares Pires, queridos amigos.

É com muita emoção que venho hoje falar sobre o livro “Família Pires – História e Árvore Genealógica de Manoel Pires de Moraes”. Confesso que quando recebi o convite para escrever a biografia de meu avô – também Manoel Pires, fiquei receosa em como abordar a história de um homem que tanto influenciou minha formação e com quem possuo, ainda hoje, nítida ligação emocional. Mas já no início me encantei com o projeto.

Ao ter que relembrar fatos que marcaram a vida de meu avô e buscar na memória passagens de minha própria história com ele, acabei por entrar em contato com que o melhor uma família tem a oferecer: laços de afinidade e lições de vida que ao longo dos anos podem passar desapercebidos.

Já dizia a máxima grega, inscrita no templo de Apolo em Delfos: Conhece-te a ti mesmo! Este aforismo, amplamente usado pela humanidade, encontrou em Sócrates um notável propagador, servindo, inclusive, como fonte de inspiração para construir sua filosofia.

A base da filosofia de Sócrates é a busca do autoconhecimento, sendo que o “conhece-te a ti mesmo” recomenda que o indivíduo extrapole os limites pessoais, para buscar também o conhecimento do mundo, da verdade. Somente diante de tal movimento, poderia o homem estabelecer-se em uma vida equilibrada e, por consequência, mais autêntica e feliz.

E é assim que acredito que a obra tem sua importância maior. Ela não é apenas um relato da história da família Pires desde seu surgimento no continente europeu até a chegada ao Brasil; ou da vida de nosso patriarca, com biografias de seus descendentes diretos até os dias atuais. É também um retrato de valores morais e éticos daqueles que nos precederam e que construíram bases sólidas na formação do caráter das gerações posteriores.

Relembrar a formação e trajetória histórica da família Pires ao longo dos séculos, ou mesmo recordar-se de “causos” e hábitos simples deixados por nossos antecessores mais próximos, honrando todo o esforço e dedicação que empreenderam para nos proporcionar um mundo melhor, faz com que possamos reviver todo o amor que nos foi doado por anos a fio para que crescêssemos seres verdadeiramente humanos.

E este mesmo sentimento nos traz o ímpeto de resgatar  tradições antes esquecidas – como foi a Romaria dos Pires aqui reproduzida – e deixar para nossos descendentes os mesmos valores e exemplos, edificando uma sociedade mais equânime e atingido o ideal de uma vida mais equilibrada, autêntica e feliz, como defendeu o filósofo grego.

Assim, ouso dizer que nenhum indivíduo consegue conhecer-se verdadeiramente se não lançar um olhar atento e sensível para o passado, para seus antepassados. Extrair de exemplos concretos, lições de vida que norteiam sua conduta moral e ética e que engrandecem seus atos na construção de um mundo melhor. Neste sentido, a obra cumpre seu papel.

E em outra perspectiva, podemos perceber que o projeto do livro também conseguiu realizar mais um grande feito que pode ser constatado na data de hoje: reunir familiares dispersos pelo tempo que, sem a presença física de nosso genearca e diante das atribulações da vida moderna, acabaram se lançando para outros rumos e se desencontrando no decorrer de suas vidas.

Neste ponto, peço licença para parabenizar e agradecer a iniciativa do primos Osmar, Eliomar e Clélia que não envidaram esforços em resgatar toda a história da família e promover o reencontro de vários de seus membros nestes dois anos de caminhada rumo a este momento.

Por fim, gostaria de deixar para os presentes as palavras do Papa Francisco, que muito me chamaram atenção quando tentava encontrar inspiração para este pequeno discurso:

“A maturidade chega a uma família quando a vida emotiva dos seus membros se transforma numa sensibilidade que não domina nem obscurece as grandes opções e valores, mas segue a sua liberdade, brota dela, enriquece-a, embeleza-a e torna-a mais harmoniosa para bem de todos”.

Assim, Família Pires, saibamos todos amadurecer com a herança guerreira e ética de nosso passado, com o olhar voltado sempre para a construção de um futuro melhor!

Muito obrigada!

Fabíola Evangelista Martins é juíza do Trabalho do TRT 18a Região. É filha de Sueli Martins Evangelista, neta de Manoel Pires Martins e bisneta de Manoel Pires de Moraes.

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