
A Câmara Municipal de Goiânia concedeu moção de aplausos a vários membros da família Pires de reconhecimento à contribuição prestada ao desenvolvimento das legítimas tradições culturais goianas, como a realização da Romaria de Carreiros e Muladeiros Pires.
Desde o final do século XIX até o início do Século XX, a Romaria dos Pires fazia o percurso da Fazenda Grande ou Comprida, em Palmeiras de Goiás, pela estrada de boiadeiros e tropeiros, com extensão de 250 km.
No trecho final, o percurso da Romaria seguia pela Estrada do Anhanguera Bartolomeu Bueno da Silva, até Santa Rita do Paranaíba, hoje Itumbiara, para a Grandiosa Festa de São Sebastião e São Benedito, uma tradicional festa religiosa, mantida até os dias de hoje, que se realizava todos os anos de 12 a 22 de janeiro.
Em janeiro de 1920, ao atravessar o Rio Meia Ponte, a comitiva comandada por Manoel Pires de Moraes percebeu que o rio estava enchendo e, na dúvida entre acampar e atravessar, resolveram seguir a viagem por receio de ter que esperar dias para a água do rio abaixar.
Durante a travessia, a correnteza aumentou. A Asmira Pires Martins, de 18 anos, a cavalo, trazia o irmão Azor Pires de Moraes, então com 2 anos, no colo.
A sua mãe Genoveva Martins de Souza gritou para a filha:
– “vira a rédea do cavalo para a cima”.
Mas Asmira entendeu “virar para baixo” e assim o fez, fazendo o cavalo cair na correnteza.
Manoel Pires de Moraes e Genoveva, os pais, gritaram para o restante da comitiva:
-“não olhem para trás, prossigam, terminem a travessia”.
A filha Possidônia Pires Martins gritava e chorava:
-“Mãe, a Asmira… coitadinho do Azor”.
Chegando na margem do Rio Meia Ponte, Manoel saltou do cavalo, pulou no rio, nadou e conseguiu salvar Asmira e Azor. Ela não largou o irmãozinho em momento algum.
Logo em seguida, o patriarca pulou novamente no rio, mais em baixo, e resgatou também o cavalo.
Em 1925, Genoveva faleceu de causas naturais e Manoel se casou, no ano seguinte, com Josefa Sardinha da Costa, de tradicional família goiana. A romaria prosseguiu, mas, rumo à Trindade.
Desde 1921, até 1944, quando Manoel Pires de Moraes faleceu de derrame cerebral, a Romaria dos Carreiros e Muladeiros Pires ganhou novo percurso, para evitar novas travessias no Rio Meia Ponte que colocavam em risco a vida de seus familiares.
O novo trajeto, saindo da Fazenda Grande ou Comprida, passou a se dirigir à Festa do Divino Espírito Santo, em Trindade, tal como é hoje em dia.
Os Muladeiros Pires resgatam assim a tradição de Manoel Pires de Moraes, Genoveva Martins de Souza e Josefa Sardinha Pires. Todos os anos, viajam a cavalo por dias, colocam provisões nos carros de bois e as vestimentas nas bruacas.
Em procissão de fé, oração, agradecimento à Nossa Senhora Aparecida, retribuindo as bênçãos recebidas – saúde, colheita e felicidade dos familiares e amigos, fazem os donativos aos carentes atendidos pela Basílica de Trindade.
(Fonte: Mariana Pires Paula. In: Família Pires, 3. ed., p. 291-295)
