É com muita alegria que recebemos vocês. Eu agradeço imensamente a cada um e quero fazer isso em nome das autoridades presentes e dos convidados que ilustram este evento. Este livro é resultado de uma pesquisa de pós-graduação realizada no Programa de Ciências Ambientais da UFG. É uma tese de doutoramento, que teve a orientação do professor doutor Leandro Gonçalves Oliveira e a coordenação da professora doutora Francis Lee Ribeiro. Portanto é um trabalho de pesquisa individual e coletiva ao mesmo tempo. É o resultado de políticas públicas e do fortalecimento da Universidade.
O Programa de Ciências Ambientais é um dos mais reconhecidos no Brasil e no mundo e a UFG, ao lado de outros programas, têm se convertido em um centro de referência. Sem deixar de esquecer outras áreas, todas relevantes para a produção desse livro, nós temos aqui vários coordenadores como, por exemplo, o professor doutor João Gonçalves Neto, dos Direitos Humanos, que faz um trabalho de integração dos Direitos Humanos com as demais áreas de pesquisa e de conhecimento da academia e da sociedade.
As Ciências Ambientais procuram ser inter e transdisciplinares. Procuram dialogar com todas as áreas do conhecimento. E esta pesquisa traz à tona a realidade global das cidades, em particular na América Latina, no Brasil e com o foco em Goiânia. Essas cidades se caracterizam por um traço comum: a extensa expansão física, superando até mesmo a expansão demográfica. As cidades crescem fisicamente o triplo do aumento da sua população. Essa expansão se dá de forma desordenada, prejudicando o bem-estar social, ou até contrária ao bem-estar social.
Esta pesquisa aponta um diagnóstico e o prognóstico. É resultado dessa análise diagnóstica que identifica, na lógica da cidade capitalista, contrária ao ideal da cidade moderna, o uso e a apropriação do espaço urbano como uma mercadoria apropriada pelos produtores e consumidores. Ora, a cidade moderna é a cidade capitalista. Então, como a cidade capitalista trabalha contra ela mesma? Está faltando aí um elemento de consciência. Esse elemento de consciência que coloca em xeque essa modernidade. A sustentabilidade causa um mal-estar à modernidade, porque chama à realidade os produtores do espaço urbano.
O que acontece? Os produtores do espaço urbano, quando não se apropriam fisicamente dos ativos ambientais, verbum et gratia, promovem a ocupação e a invasão dos parques, construindo dentro de parques shoppings, condomínios e obras que não têm nada a ver com o espaço destinado à preservação. Quando assim não o fazem, se apropriam dos seus entornos e dos benefícios do espaço natural. Se apropriam da plus valia, da mais valia fundiária, que é decorrente do investimento público.
Só depois que o espaço se valoriza, com as obras de infraestrutura, é que os produtores do espaço urbano se apropriam da valorização ambiental em benefício de alguns. Isso socializa um prejuízo a todos, através de congestionamentos, de poluição, de degradação das condições de vida. Então, é esse o chamamento à consciência que se deve fazer aos agentes produtores do espaço urbano, para serem coerentes com a cidade moderna, que é a cidade capitalista. Eles devem distribuir os benefícios da valorização do solo urbano. Devem distribuir a mais valia fundiária.
Isso implica em uma vertente ultramoderna ou pós-moderna, que está consagrada no Acordo de Paris. Essa é a virtude deste projeto. Ele antecipou em décadas o que agora está consagrado mundialmente, que é monetizar o ativo ambiental. Em outras palavras, fazer a natureza render monetariamente e distribuir esses benefícios a favor de todos. Esta pesquisa aponta para recomendações e sugestões, que estão na parte final deste livro, a qual peço a leitura atenta ao capítulo final. Essas recomendações e as sugestões são altamente coerentes com a realidade atual.
FALA DO PROF. DR. OSMAR PIRES MARTINS JUNIOR EXTRAÍDA DA CERIMÔNIA DE LANÇAMENTO DA OBRA A GESTÃO DO ESPAÇO URBANO E A FUNÇÃO SOCIOAMBIENTAL DA CIDADE (MARTINS JUNIOR, OLIVEIRA & RIBEIRO, 2023, EDITORA SORIAN/PARANÁ)

