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Amélia Pires Sardinha e o esposo Osmar Martins Barros (fFoto: acervo da Família)

 

Amélia Pires Sardinha (in memoriam) nasceu em 27 de dezembro de 1936 na Fazenda Grande ou Comprida, no município de Paraúna-GO e faleceu no Dia Internacional da Mulher, em 08 de março 1993, aos 57 anos de idade, em Goiânia, vítima de infarto cardíaco. Era a filha caçula de Manoel Pires de Moraes, em segundas núpcias com Josefa Sardinha Pires.

Amélia Pires Sardinha foi alfabetizada e frequentou as primeiras aulas de sua vida na escola rural mantida por seu pai, na sede da Fazenda Grande ou Comprida. Com menos de nove anos de idade, sentiu dolorosamente a perda de Manoel Pires de Moraes, que faleceu em 23 de outubro de 1944.

Em Rio Verde-GO, Amélia morou com sua mãe e seus irmãos Jeová, Dágna e Walter, na Rua São Sebastião, próxima ao local onde foi edificada a primeira igreja da cidade.

Aos dezesseis anos de idade, durante o ano de 1952, passou no exame de admissão no conceituado Ginásio Estadual Martins Borges, de Rio Verde, onde cursou a 1ª Série Ginasial.

Em 11 de julho de 1955, Amélia se casou com Osmar Martins Barros, fixando residência em Iporá – GO. Depois, com os três primeiros filhos nascidos, em 1960, mudou-se para a vizinha Amorinópolis. Nestas cidades a família foi constituída, com cinco (05) filhos e uma (01) filha: Osmar Pires Martins Júnior, hoje Biólogo, Engenheiro Agrônomo e bacharel em Direito; Ismar Pires Martins, Advogado; Eliomar Pires Martins, Advogado; Liamar Pires Martins, Advogada; Dilmar Santos Pires Martins, Técnico em Transação Imobiliária; e Delcimar Pires Martins, Economista.

Amélia e seu esposo Osmar formaram um típico casal goiano do início do século XX: filhos de fazendeiros, criados na roça, contemporâneos da mais autêntica geração de homens e mulheres do planalto central brasileiro da década de 1930.

Na Fazenda Cachoeirinha, em Rio Verde, Osmar Martins Barros era o segundo de quatorze filhos do respeitado fazendeiro rio-verdense, Sebastião Martins Nunes “Sobem Turco”. Juntamente com o pai, sua mãe Dorvina Martins de Barros e seus irmãos madrugavam todos os dias, iniciando a lida diária no engenho de cana, no curral tirando o leite, no cultivo da lavoura ou nos afazeres domésticos.

Na Fazenda Grande ou Comprida, em Paraúna, Amélia Pires Sardinha, ainda infanto-adolescente, nos usos e costumes da época, dedicava-se aos afazeres domésticos, ajudando sua mãe, Dona Josefa, em todos os trabalhos caseiros.

A Fazenda abrigava inúmeras pessoas dedicadas à criação de numerosos rebanhos bovinos, equinos, muares, caprinos, ovinos e avícolas. A dinâmica da fazenda nos dá ideia das tarefas necessárias ao desenvolvimento dos trabalhos de manutenção e apoio às atividades rurais de Manoel Pires de Moraes.

Amélia, da parte do casamento dos seus pais, Manoel e Josefa, tinha dois irmãos, Jeová, já rapazinho e Walter, menino crescido, além da irmã Dágna, entre Jeová e Walter, completando a prole de quatro filhos. Ainda infanto-adolescentes, por força das circunstâncias, nos usos e costumes da época, os filhos dedicavam-se com denodo aos afazeres domésticos.

A caçula Amélia destacava-se pela desenvoltura com que se propunha a ajudar sua mãe, Dona Josefa, em todos os trabalhos caseiros. Por vezes, distraía-se com algumas bonecas compradas na rua e outras bonecas de pano, confeccionadas artesanalmente, ali mesmo.

No vai e vem da vida rural, na sede da Fazenda, o patriarca Manoel providenciava um professor ou professora, vindo de longe, ali permanecendo para ministrar aos membros da família, as primeiras letras e contas, providência que beneficiava os netos de Manoel.

Na Fazenda Grande ou Comprida, Manoel e Josefa implantaram e mantinham em funcionamento uma escolinha de alfabetização e educação de seus filhos e netos, bem como dos funcionários da fazenda e dos filhos e funcionários de fazendeiros vizinhos interessados, como testemunhou Oduvaldo Pires Martins, filho de Hygino, em 30 de dezembro de 2015, ao seu irmão Sebastião Pires Campos e aos primos Osmar e Eliomar Pires Martins, durante uma visita à sede da Fazenda Três Lagoas, em Acreúna.

A lida doméstica de Amélia no meio rural, em transformação, alcançou a convivência urbana em Rio Verde, Iporá, Amorinópolis e Goiânia, onde veio a morar com o esposo. Nas residências de Osmar e Amélia foram educados os seis filhos, mas também vários sobrinhos e sobrinhas, além dos filhos e das filhas de pessoas amigas da comunidade, sempre com o apoio da Dona Josefa.

Em Iporá, o marido de Amélia foi tabelião do Cartório do 2º Ofício (1956-1960) e desenvolveu intensa atividade social, dentre outras, o apoio ao brilhante trabalho dos médicos William Jose Álvares e Suhail Rahal para criação do Hospital Evangélico de Iporá Ltda., fundado no dia 2 de abril de 1959.

Na recém-emancipada cidade de Amorinópolis, Osmar Martins Barros foi Prefeito Municipal, líder político, criador, fundador e diretor do Ginásio Macabeus, atual Colégio Analícia Cecília Barbosa da Silva, no qual Amélia concluiu o ginásio, entre os anos de 1968 e 1970, destacando-se como notável aluna com a média global anual de 8,9 na segunda série, 8,5 na terceira, e novamente 8,9, na quarta.

No final do ano de 1970, sem condições de prosseguir seus estudos e com seus primeiros filhos às portas do segundo grau escolar, decidiu mudar-se para Goiânia para permitir a continuidade dos estudos dos filhos e para matricular-se no Colégio Normal Santa Clara de Campinas, que era frequentado pelas alunas mais notáveis da Capital e das mulheres do interior que mudavam para Goiânia na busca do melhor ensino do Estado.

Amélia Pires Martins correspondeu ao nível do ensino do Colégio Santa Clara, onde obteve média anual de 83,2 na primeira série, em 1971; 84,2 na segunda série, em 1972; e, 82,2 na terceira série, em 1973.

Para os seis filhos de Amélia Pires Martins, e certamente para sua mãe Josefa Sardinha Pires, seu marido e diretor no colégio Macabeus, a inteligência, dedicação e elevado conceito escolar que sempre gozou em todos os estabelecimentos de ensino que frequentou lhes deram orgulho e estímulo para seguir seus passos. Para sua mãe Josefa, o lar conduzido por sua filha caçula que a recebeu e incorporou com harmonia a fez viver com muita felicidade até os últimos dias de sua vida.

O marido, estimulado pelo dom educacional de Amélia, mesmo com seus afazeres que lhe ocupavam 24 horas de seus dias, encontrou força e disposição para concluir o curso de Direito na atual Universidade Federal de Uberlândia – UFU.

Amélia e Osmar deixaram um legado aos filhos, que se constituiu patrimônio que não se deixa corroer pelas intempéries da vida, consistindo na transmissão de um ideal de vida da conquista da profissão pelo esforço próprio – passar no vestibular, frequentar, concluir um curso superior, obter uma profissão graduada e exercê-la com dignidade. Dos quinze netos de Amélia, oito concluíram cursos universitários e os exercem, quatro estão frequentando faculdade e dois ainda não atingiram idade para ingressar na universidade.

Em Iporá, Amorinópolis e Goiânia, a normalista e dona de casa Amélia, com a ajuda da sua mãe Josefa e o apoio do seu esposo Osmar, ajudou a promover ainda a educação, formação ou desenvolvimento de outras dezenove (19) pessoas, crianças, jovens ou adultas, que foram acolhidas em distintas épocas no seu generoso lar, e depois, seguir suas respectivas atividades profissionais:

– Neusa Arantes, segunda filha de Dágna Pires Arantes, neta de Manoel Pires de Moraes, durante o ano de 1956, na residência em Iporá;

– Luiz Alberto Barros Martins, sócio-proprietário da Multi Impressões Serviços da Indústria Gráfica, na Av. C-197, Jd. América, durante o ano de 1957 em Iporá e, depois, durante os anos de 1961 e 1962, na residência de Amorinópolis;

– João Barros Martins, saudoso fazendeiro, sogro do delegado de polícia Paulo Bachur, esposo de Kassia Barros Martins Bachur, durante o ano de 1957, em Iporá;

– Antonio Martins Barros, durante quatro meses do ano de 1961, em Amorinópolis, oriundo da cidade de São Paulo, preparando-se para assumir o Cartório do 2º Ofício de Amorinópolis;

– Matildes Tinoco, filha de João Braz Tinoco, da região do Cruzeiro, morou na residência de Amorinópolis, durante no ano de 1967, preparando-se para o ginasial;

– Lucimar da Costa Ataíde (in memoriam), filha de Teodolino da Costa Ataíde “Dó”, oleiro de Iporá, que morou durante dois meses do ano de 1967, preparando-se também para o ginasial em Amorinópolis;

– Léia Ferreira Martins Cury, Farmacêutica, proprietária da Farmácia e Distribuidora São Luiz, localizada na Rua 68, Centro, em Goiânia, durante o ano de 1967, cursando a 1ª série do Ginásio Macabeus de Amorinópolis;

– Maria Conceição F. de Faria, filha de Cassimiro Faria Neto “Mirico”, trabalhador rural de Amorinópolis, neta do carreiro Pedro de Souza Bastos, que estudou no Ginásio Macabeus, durante o ano de 1968, até se mudar para a residência de Jair José de Avelar “Jair Barbeiro”, e hoje é servidora de carreira da UFG, onde exerce a Gerência Executiva da Fundação de Apoio à Pesquisa – FUNAPE;

– Walter Pires Sardinha, sua esposa Tenezir e os dois filhos Wagner e Vânia, que residiram por um ano, em 1971, na casa do Setor dos Funcionários, em Goiânia;

– Geralda dos Santos Andrade, viúva de Leopoldo Cirilo de Andrade, sogra de João Barros Martins, residiu na casa do Setor dos Funcionários, em Goiânia;

– Gumercino Ferreira Mendes, que morou na residência do Setor dos Funcionários, durante o ano de 1971, para realizar o curso de inglês, visando sua formação para professor do Ginásio Macabeus, onde lecionou durante muitos anos;

– Ernandes Augusto de Oliveira, filho de Esmeraldino Augusto de Oliveira “Dino”, que residiu na residência do Setor Aeroporto, em Goiânia, durante o ano de 1975, para cursar o vestibular do curso de Medicina da UFG, que ingressou em 1976, passou no concurso para a Receita Federal, abandonou o curso de Medicina e iniciou o de Direito, sendo hoje aposentado do serviço público federal e militante da Advocacia Tributária;

– Zamir Nascimento, filho da Maximina e Pedro Nascimento, durante o ano de 1976, para morar e estudar em Goiânia; hoje é Advogado, inscrito na OAB – GO, sob o número 21.995, sócio do conceituado escritório Pereira e Nascimento Advogados Associados, com sede em Goiânia, à Rua R-17, 437, St. Oeste, e em Rio Verde, à Rua 11, n° 57-B, Vila Amália I;

– Carmem Graciano da Silva, filha de Domingos Graciano da Silva “Dominguinho”, morou na residência do Setor Aeroporto, para realizar estudos em Goiânia;

– Wilmar de Freitas, filho de Preto Gouveia, morou na residência do Setor Aeroporto, para realizar estudos em Goiânia;

– Messias Guimarães Martins, filha caçula de Sebastião Martins Nunes (em segundas núpcias com D. Madalena), durante os anos de 1985 e 1986, na residência do Setor Aeroporto, em Goiânia;

O dia-a-dia de Amélia e Josefa começava às seis da manhã preparando o café-da-manhã, sortido com iguarias nunca inferiores a seis, a partir do usual pão, leite, ovo cozido ou frito, bolo, pão de queijo, biscoito de queijo, peta, beiju, servidos aos filhos e a todos os que igualmente habitavam a casa.

Depois de encaminhar as crianças à escola, sobrava um tempo para os estudos próprios e, em seguida, os preparativos para o almoço. A mesa sempre farta era servida com o tradicional arroz e feijão, os pratos variados de carne bovina, suína, frango, às vezes peixe, as massas, geralmente, nhoque de mandioca ou recheado, macarronada, lasanha, sem esquecer chuchu recheado, almôndega; e, claro, a sobremesa, com variados doces de leite, mamão, laranja, limão, mangaba, caju, dentre outras frutas frescas, muitas colhidas no quintal da casa ou compradas no comércio da cidade.

A merenda era sempre servia às três horas da tarde, com quitutes variados e típicos de uma saudável vida interiorana. Encerrando a lida diária, o jantar era sempre servido à mesa, sortida para encerrar com alegria e fé o dia da família.

A descrição acima não se refere a nenhum lar luxuoso, com regalias e desperdícios. Trata-se de um lar regrado pela humildade, generosidade, dedicação e amor, agraciado pelas preces, sempre realizadas à mesa das refeições diárias, em louvor às dádivas do trabalho. Naquelas ocasiões, o casal Amélia e Osmar, a avó Josefa e seus netos, se revezavam na leitura de um versículo da Bíblia Sagrada:

“Os injustos não dormem sem ter feito o mal; perdem o sono enquanto não fazem alguém tropeçar. Comem a maldade como pão e bebem a violência como vinho. Mas a trilha dos justos brilha como aurora, e vai clareando até nascer o dia. O caminho dos injustos é tenebroso e eles não sabem no que irão tropeçar”. (Provérbios, 3:16-19)

Enfim, Amélia Pires Sardinha e Josefa Sardinha Pires, com o suporte de Manoel Pires de Moraes e Osmar Martins Barros, contribuíram para a formação de inúmeras pessoas de mais de uma geração. Acima de tudo, contribuíram para o fortalecimento da instituição familiar, base de toda a estrutura social, cuja preservação é um imperativo acima das diferenças religiosas, políticas, econômicas, ideológicas ou de quaisquer outras porventura existentes entre os seres humanos.

Amélia faleceu no Dia Internacional da Mulher, em 08 de março de 1993, no Hospital São Domingos, na cidade de Goiânia, ainda jovem, aos 57 anos, vítima de fulminante infarto do miocárdio. O seu falecimento consternou familiares e amigos.

O falecimento de Amélia Pires Sardinha repercutiu no Poder Legislativo de Goiás, que aprovou a proposição nº 613 de manifestação de pesar, carregada de valor humano, por iniciativa do jovem deputado Marconi Perillo, filho de Maria Pires Perillo, como se lê a seguir:

diploma

Goiânia, em 03 de setembro de 2016.

(Texto elaborado por Osmar Júnior e Eliomar, com aprovação de Ismar, Liamar, Dilmar e Delcimar Pires Martins – filhos; e participação de Osmar Martins Barros)