
Azor Pires de Moraes nasceu em 13 de março de 1917, na Fazenda Grande ou Comprida, no município de Paraúna – GO. É o oitavo filho do Senhor Manoel Pires de Moraes e Dona Genoveva Martins de Souza.
Aos oito anos de idade ficou órfão materno, com o falecimento de Dona Genoveva, em 1925. Foi matriculado sob o número 48 no Colégio Interno Ginásio Anchieta, em Silvânia/GO, vinculado aos padres salesianos, onde cursou o ensino fundamental.
Concluído os estudos, retornou à labuta diária da Fazenda Grande ou Comprida, onde ajudou o pai, juntamente com os irmãos mais velhos: Asmira, Otávio, Hygino, Affonso, Possidônia, Maria Pires e Leonardo.
Desde muito jovem, o Senhor Azor trabalhou duro na gleba de 500 alqueires que recebeu de herança. Adquiriu mais terras, aumentando a área da sua propriedade, Fazenda Posse, para 1.150 alqueires.
Em 1943, casou-se com Imélida Borges de Moraes “Zizinha” (21.04.1925 – 16.03.1991), filha de Agenor Borges Campos e Benedita Arantes Campos, proprietários da Fazenda Formosinha, uma tradicional família da região de Paraúna.
No dia 06 de novembro de 1944, veio ao mundo o único filho biológico do Senhor Azor e da Dona Zizinha, Paulo Pires de Moraes, tendo como padrinho Hygino Pires Martins. Segundo depoimento de Paulo, sua mãe sempre dizia que ele nasceu 15 dias após o falecimento do avô Manoel Pires de Morais – Patriarca da Família Pires – que, então, ocorreu em 23 de outubro de 1944.
Além do filho Paulo, o casal Azor e Zizinha adotaram como filha Lúcia Helena Alves Ferreira, que faleceu prematuramente aos 21 anos de idade, sem deixar filhos, sepultada no Cemitério Santana, em Goiânia.
Em 1953, o Senhor Azor vendeu a Fazenda Posse para o Senhor José Jacinto e, no ano seguinte, mudou-se para Goiânia, passando a residir com sua esposa Zizinha e o filho Paulo, então com 9 anos de idade, na residência que adquiriu na Rua 228, Setor Coimbra, posteriormente, a família residiu na Rua 232, no mesmo setor.
O Senhor Azor deu continuidade ao trabalho de produtor rural com a compra da Fazenda Barro Branco, de 60 alqueires, localizada no município de Trindade.
Mantendo a tradição da Família Pires, o casal Azor e Zizinha se empenhou na formação escolar do filho Paulo, matriculando-o, em julho de 1954, no Instituto São Francisco de Assis (Franciscanas da Ação Pastoral), da Arquidiocese de Goiânia, à Rua 228, no Setor Coimbra, que ficava na mesma rua onde moravam, em Goiânia.
Entrementes, narrou Paulo Pires de Moraes aos seus primos Osmar e Eliomar Pires Martins, em visita à sua residência, no Jardim Petrópolis, em 27 de outubro de 2016, que:
[…] Em agosto de 1954, no terceiro dia de aula, o diretor do Instituto São Francisco fez a chamada ‘Paulo Pires de Moraes, pode pegar as suas coisas. Você é filho de espírita’. Passei a estudar, então, na Escola Patriarca, na Avenida São Paulo, Setor Campinas [hoje Escola Municipal Professora Edna de Roure], sob a direção da rigorosa Professora Edna de Roure de Oliveira, com quem muito aprendi, até passar no exame de admissão. […] (MORAES, 2016)
Por ocasião desta visita, narrou ainda Paulo Pires de Moraes um aspecto revelador sobre a vida dos irmãos Antônio e Duarte Pires Sardinha, que são filhos primogênitos de Afonso Pires Sardinha com Odília Sardinha:
[…] Em fins dos anos 1950, Antonio e Duarte se hospedaram, alimentaram e dormiram por uma ou duas noites em nossa casa, em Goiânia. Eles estavam de viagem rumo à cidade de São Paulo, onde tentariam trabalho. Meu pai deu todo apoio possível a eles. Chegando à capital paulista, sei que passaram fome, dormiram ao relento na Praça da Sé, até que Antônio conseguiu uma vaga de office-boy na Fábrica Mercedes-Benz, onde posteriormente foi contratado, trabalhou durante toda sua vida e se aposentou. E Duarte foi para a cidade do Rio de Janeiro, onde estudou engenharia, passou no concurso para o Corpo de Engenheiros da Marinha e foi Oficial do Corpo de Fuzileiros Navais. […] (MORAES, 2016)
A atenção especial do Senhor Azor e da Dona Zizinha à formação do filho Paulo Pires de Moraes foi coroada com a formatura deste em Contabilidade pela conceituada Escola Técnica de Comércio de Campinas, em Goiânia, dirigida pelo saudoso Professor Rubens Carneiro, no ano de 1966. Nesta escola, lecionou a prima de Paulo, a Professora Maria Lourdinha Pires Pinto, filha de Possidônia Pires Pinto.
Outra parte do depoimento de Paulo Pires de Moraes ilustra uma característica importante da Família Pires na formação dos filhos – a de que a educação nasce no berço do lar e se alia àquela ministrada na escola:
[…] Quando morava na casa da Rua 232, no Setor Coimbra, eu estava encerando o assoalho de madeira e, logicamente, estava todo sujo de cera. Lá chegaram as primas Gety Pires [de Urzeda], Geny Pires Arantes, Maria Pires [Perillo] e Maria Lourdinha. Elas iam assistir a um filme no Cine Eldorado, na Rua Benjamin Constant, em Campinas. Meu pai determinou que eu as levasse até lá. Assim como estava, todo sujo de cera, me prontifiquei imediatamente e as acompanhei até a entrada do cinema. Entrementes, lá chegando, elas convenceram o porteiro a deixar-me entrar, o que aconteceu, e nós assistimos ao filme juntos, eu e as primas. […] (MORAES, 2016)
O moral da narrativa consiste em vários pontos importantes da educação familiar: o trabalho doméstico – encerar a casa; a obediência – atender à determinação do pai; a atenção à segurança e ao bem-estar das primas no trajeto até o cinema; e a solidariedade entre os primos, proporcionando oportunidade de lazer àquele que, inesperadamente, desfrutou de uma bela sessão de cinema com as primas.
A educação para o trabalho resultou em importante empreendimento, levado a cabo pelo Senhor Azor, em conjunto com o jovem filho Paulo, então com 19 anos. Numa sociedade com 50% de cota para cada um, pai e filho instalaram a Fábrica de Chapéus Sandra, em outubro de 1964, na Avenida Bahia e, posteriormente, em 1966, na Avenida Rio Verde com a Avenida Honestino Guimarães, em Campinas.
A fábrica foi pioneira no funcionamento de uma máquina industrial de lubrificação automática e do uso da máquina de grampear a fita do chapéu de palha, com melhoria da produtividade. Os chapéus de palha Sandra eram procurados no mercado pela qualidade industrial do produto. O empreendimento perdurou até março de 1973, encerrando sua atividade quando tinha 17 empregados diretos.
A Fábrica de Chapéus Sandra, dos sócios Azor e Paulo Pires de Moraes, chegou a empregar 31 funcionários internos, inclusive familiares como Oduvaldo Pires Martins e seus filhos Iremar e Niciomar Pires de Jesus, respectivamente, filho e netos de Hygino Pires Martins.
O casamento entre o Senhor Azor e a Dona Zizinha somente se desfez com o falecimento desta, em 16 de março de 1991. Após a viuvez, o Senhor Azor manteve união com a Dona Berenice até o fim de seus dias, sem deixar filhos desta relação.
O Senhor Azor Pires de Moraes faleceu em 05 de fevereiro de 2006, aos 89 anos de idade, deixando um filho, Paulo, com uma geração de dezoito familiares:
- Paulo Pires de Moraes, casado com Lourdes Rocha de Moraes, três filhos:
1.1 Márcio Rocha de Moraes “Marcinho”, casado com Cristiane Miranda e depois com Julyanna da Rocha Marques, quatro filhos:
1.1.1 Eduarda Miranda de Moraes;
1.1.2 Gabriela Miranda de Moraes;
1.1.3 Gustavo Miranda de Moraes;
1.1.4 João Paulo Rocha de Moraes;
1.2 Sandra Regina Pires de Moraes, casada com André Ribas de Oliveira, três filhas:
1.2.1 Sofia Oliveira Moraes;
1.2.2 Giovana Oliveira Moraes;
1.2.3 Laura Oliveira Moraes;
1.3 Fabiano Rocha de Moraes, casado com Daniela Cristina Alves Chaves, um filho:
1.3.1 João Miguel Alves Rocha de Moraes.
Os netos do Senhor Azor e Dona Zizinha, filhos de Paulo Pires de Moraes, são um legado que dignifica a Família Pires, pelo caráter pessoal de honestidade, honradez e pelos relevantes serviços prestados à sociedade, seja no setor público ou na iniciativa particular, na qualidade de servidor da Receita Federal, no exercício do magistério superior ou como profissional autônomo qualificado.
Goiânia, 31 de outubro de 2016.
(Texto elaborado por Osmar Pires Martins Júnior, com a participação de Eliomar Pires Martins – sobrinhos; revisado e aprovado por Paulo Pires de Moraes – filho)
