
Delcimar Pires Martins nasceu em 27 de fevereiro de 1964, no Hospital Evangélico de Iporá-GO, para onde sua mãe foi levada para fazer o parto, já que, em Amorinópolis, distante cerca de vinte quilômetros dali, não havia hospital.
Delcimar é o filho caçula dos seis filhos de Amélia Pires Sardinha e Osmar Martins Barros, assim como é o neto caçula de todos os oitenta e um (81) netos do patrono Manoel Pires de Moraes e exerceu importantes funções na República Democrática do Brasil, como relatado adiante.
Até a idade de seis anos, foi criado na pequena cidade de Amorinópolis, onde iniciou os seus estudos, primeiro em casa e depois no grupo escolar. Sua mãe Amélia, como fizera com os cinco irmãos mais velhos, lhe ensinou as primeiras letras. Em seguida, foi matriculado no Grupo Escolar Alfredo Nasser, inaugurado pelo Governador Otávio Lage, em 1966, graças ao esforço do seu pai, Osmar Martins Barros, então o Prefeito da cidade.
No grupo escolar, foram estabelecidas as primeiras grandes lições de civilidade, humanismo e compromisso com a nação e seu povo, quando as professoras Lélia e Mariá, transmitiam tais valores aos seus alunos por meio de atividades coletivas, como hasteamento das bandeiras e o canto do hino nacional.
Aqueles tempos são inesquecíveis, inclusive de fatos dadivosos. Nos idos de 1968, quando Delcimar tinha 4 anos, ele nasceu de novo. Explico.
Comum aos hábitos das famílias de então, a sua mãe Amélia ordenava algumas tarefas aos seus filhos. Uma delas era tirar água da cisterna, usando a roldana de madeira e ferro, para abastecer a casa. Essa tarefa era cumprida pelos irmãos mais velhos, em face do risco envolvido.
Certo dia, seu irmão primogênito atendeu a ordem da sua mãe – “Osmarzinho, vá tirar água da cisterna”. Quando abriu a cisterna, não percebeu a aproximação do irmão caçula que, com a intenção de ajudar, se aproximou e despencou poço abaixo – 15 metros de fundura e 5 metros de água.
Osmarzinho saiu correndo pela rua afora, pedindo socorro; Eliomar, o terceiro irmão, disparou rumo ao cartório do seu pai. A mãe e a avó, desesperadas. Por sorte, chegava uma jardineira de Iporá e nela estava “Bichinho”, o cisterneiro. Ouviu ele a gritaria do menino e, sabendo quem era o pai e onde morava, desceu correndo do ônibus, foi direto ao quintal da casa do Senhor Osmar e desceu o poço da cisterna, escorregando pelas próprias mãos. Antes, empurrou para o lado o pai, já pronto para saltar na cisterna.
“Bichinho” salvou a vida do Delcimar, que estava desacordado, no fundo do poço, sem respirar já alguns minutos, com a cabeça muito inchada “do tamanho da cabeça de um bezerro”. O pai Osmar colocou o filho no jipe, dirigiu em máxima velocidade pela estrada de chão, chegaram ao Hospital Evangélico de Iporá, distante 20 quilômetros, onde Delcimar foi internado na UTI, nela permanecendo por alguns dias.
A sua vó Josefa e seus pais Osmar e Amélia, fumantes até à data do acidente, fizeram a promessa de largar o cigarro em agradecimento à prece pela cura do neto e filho-caçula. Delcimar foi tratado e, graças à competência e ao zelo dos médicos e das enfermeiras do Hospital Evangélico, acompanhados pela atenção permanente da família, milagrosamente, sobreviveu sem nenhuma sequela.
Passado o susto, tudo de volta à normalidade, os irmãos mais velhos tiravam o sarro do felizardo sobrevivente: “O inchaço da cabeça dilatou a caixa craniana, aumentou o cérebro e o seu QI, filho de Deus!”.
Em 1970, a família muda para a Capital, seguindo o caminho trilhado pelas famílias que, em busca de novas oportunidades de estudo, deixavam suas cidades interioranas. Em Goiânia, foi matriculado no tradicional Colégio Agostiniano Nossa Senhora de Fátima, no Setor Aeroporto, sob a direção do padre Cirilo Garcia Juarez, onde concluiu o ensino fundamental.
O ensino médio foi todo feito no Colégio Carlos Chagas, então o maior colégio particular de Goiânia, com seis unidades, dirigido pelo professor Agenor Cansado. Foi nesse período, em 1981 e com 16 anos, que Delcimar iniciou na atividade política estudantil, ajudando a construir um dos primeiros Grêmios Livres do Brasil, o Grêmio Livre “Marco Antônio Dias Batista”, sendo eleito, pelo voto dos estudantes, seu vice-presidente. O nome do Grêmio Livre foi em memória do estudante secundarista goiano que desapareceu no curso da luta contra a ditadura militar, cujo corpo nunca foi identificado e entregue à família. A consequência da atividade foi que Delcimar participou da reconstrução da União Municipal dos Estudantes Secundaristas de Goiânia – UMES, sendo seu segundo presidente, em 1982.
Em 1982, ainda jovem, e sem idade sequer para tirar o título de eleitor, participou ativamente da campanha para a eleição de governador do Estado e pregou o voto útil no candidato da oposição – PMDB, contra o partido da ditadura, o PDS, com o objetivo de fazer avançar a luta pela democracia no Brasil.
Em face da destacada atuação na presidência da UMES de Goiânia, Delcimar foi eleito, sucessivamente, nos Congressos Nacionais da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas – UBES, vice-presidente Centro Oeste, em 1983, e, em 1984, com 5 mil delegados estudantes de todo o país, eleito Presidente da UBES em Osasco/SP. O momento era o da luta pelas “Diretas Já” que, derrotada, partiu-se pela eleição de TANCREDO NEVES à Presidência da República, pelo colégio eleitoral. Delcimar representou os estudantes secundaristas nos comícios Pró-Tancredo em todos os Estados do país, bem como, integrou o Comitê-Jovem da campanha vitoriosa, entre os anos de 1984 e 1985 (UBES, 2016) [1].
O engajamento na luta pela democracia levou o filho caçula de Amélia Pires Sardinha a se radicar em São Paulo, maior cidade da América-Latina. Delcimar passou a conviver com modos de vida totalmente diferentes, inclusive, o sustento, que administrou por conta própria. Nessa luta diária, conheceu sua futura esposa, Maria Aparecida Gesteira Matos “Cidinha Matos”, abaixo subscrito, que militava no movimento de cultura e estudantil de Minas Gerais.
A luta e a convivência forjaram o casamento, realizado em 1987, em Belo Horizonte, no civil, e o religioso em Goiânia, para a alegria da avó Josefa e da mãe Amélia. Os anos seguintes foram de enfrentamento a todas as adversidades possíveis, mas o casal logrou concluir a graduação, ela de jornalismo, e ele de economista, pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo-PUC-SP, onde ele também concluiu a pós-graduação de mestrado em Administração Financeira. A partir daí resolveram constituir família, e nasceram ISADORA MATOS MARTINS e MATEUS MATOS MARTINS, ambos na cidade de São Paulo.
Na capital paulista, desenvolveu sólida carreira profissional, iniciada em 1988 até 1991, como Assessor de Assuntos Industriais e como Adjunto do Departamento Financeiro do Serviço Federal de Processamento de Dados de São Paulo – SERPRO/SP.
No biênio seguinte, foi Auxiliar de Cadastro e Banco de Dados Empresariais, Auxiliar do Centro de Informações Econômicas do Jornal Gazeta Mercantil.
Durante os anos de 1993 e 1994, foi Gerente de Projetos na empresa Artefatos Factoring e Negócios. Nos dois anos seguintes, volta ao Jornal Gazeta Mercantil como Supervisor do Centro de Informações do Jornal, onde permaneceu até 1997.
Em seguida, até 2001, foi assessor da Secretaria Geral e, posteriormente, da Presidência da Câmara Municipal de São Paulo, participando da equipe que produziu o trabalho sobre a famigerada Máfia dos Fiscais, que denunciou a corrupção envolvendo os vereadores da bancada de apoio ao prefeito Celso Pitta (PPB), e que levou ao impeachment do Chefe do Executivo. Também atuou no primeiro esboço de reforma administrativa daquela Casa Parlamentar, fato inédito para a época.
Durante esse período, Delcimar desenvolveu as qualificações profissionais de atuação nos setores público e privado, seja de avaliação de mercados e negócios; montagem de cenários de investimentos; estruturação de banco de dados de indicadores financeiros; planejamento, estudo e pesquisa para área financeira e de marketing.
Sua qualificação profissional e a atuação na luta pela democratização do país o credenciaram ao honroso convite para integrar o Gabinete Pessoal da Presidência da República, de 2003 a 2008. Entre 2009 e 2012, foi fundador e Diretor Administrativo e Financeiro da Empresa Brasil de Comunicação – EBC, e Gerente Financeiro da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo – CEAGESP, quando volta para a Presidência da República, na Secretaria Geral da Presidência, entre 2012 e 2014.
Enquanto trabalhou na Presidência da República, contribuiu de diversas maneiras para o bem do estado de Goiás, seja apoiando reivindicações junto a órgãos federais, seja em apoio a orçamentos de obras ou a órgãos dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado. Merece destaque a sua participação, juntamente com o irmão Eliomar Pires Martins, na aprovação da lei que criou cinco novos cargos de desembargador e ampliou em mais 291 cargos de servidores técnicos no Tribunal Regional do Trabalho da 18ª Região de Goiás (TRT-18ª REGIÃO, 2009, capa e pp. 2 e 3) [2].
Entre 2014 e 2016, foi chefe de gabinete da Presidência do Conselho Nacional – CN do Serviço Social da Indústria – SESI e membro técnico do CN-SESI.
Delcimar Pires Martins, o neto-caçula de Manoel Pires de Moraes, é um cidadão vitorioso da luta pela vida, contra o arbítrio da ditadura militar e pelo aperfeiçoamento da democracia brasileira.
Brasília, em 15 de novembro de 2016.
(Texto elaborado pela jornalista Cidinha Matos – esposa)
[1] UBES. União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. História da UBES: 40 milhões de estudantes, ideias e sonhos. Disponível em: <http://ubes.org.br/memoria/historia/>. Acesso em: 08 nov. 2016.
[2] TRT-18ª REGIÃO. Criados cinco novos cargos de desembargador e 281 cargos de servidor para o TRT de Goiás. Noticiário Trabalhista, 13: 1-3, abr.-jul. 2009.
