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Dinorá Rodrigues D`Abadia (Fonte: acervo da Família)

 

Dinorá Rodrigues D`Abadia nasceu em 18 de abril de 1936, na Fazenda Serrano, município de Palmeiras de Goiás.

Terceira dos sete filhos de Asmira Pires Rodrigues e Augusto Rodrigues Filho, foi registrada como Guinorá, em homenagem a uma amiga de Dona Asmira.

No entanto, o nome foi alterado para uma “versão mais comum”, por sugestão do próprio tabelião, quando da expedição de novos documentos, após um incêndio no cartório da cidade.

Nascida e criada na Fazenda Serrano, Dinorá e os irmãos trabalhavam na manutenção da propriedade, executando todas as tarefas da lida rural.

Mais tarde, estudou em colégios católicos do estado: primeiro, no Colégio Maria Auxiliadora, em Silvânia, e depois no Colégio Santo Clara, no bairro de Campinas da capital goiana.

Desde essa época, relatos de conhecidos e parentes dão conta da atenção que Dinorá despertava em razão de sua beleza e meiguice.

O primeiro noivo, de origem turca, morreu afogado em um rio da região. Em 1956, casou-se com Benedito D’Abadia, conhecido por “Ditinho”, era natural de Pirenópolis (GO), filho de Olga Jaime, da tradicional família pirenopolina.

Do matrimônio, teve cinco filhos: Divino Pires Abadia (nascido em 10/4/1957), Mara Antônia Pires de Abadia (13/6/1958), Nadir Pires de Abadia (22/7/1959), Ivan Carlos Pires de Abadia (26/5/1960) e Constantino Pires de Abadia (1º/4/1961).

Divino, servidor público estadual, casou-se com Genesi Martins (falecida em 2011), com quem não teve filhos. Antes do casamento, teve um filho, Deyvson Denner Abadia, que veio a falecer em 2014.

Mara, bancária, casou-se com Valter Rosa da Silva, com quem teve dois filhos: Valter Rosa da Silva Júnior e Mayara Rosa de Abadia.

Nadir, bancária e servidora pública estadual, tem dois filhos do primeiro casamento: Wanesca Jaqueline de Miranda e Hugo de Miranda Gomide. Wanesca casou-se com Orlando de Paula, com quem teve dois filhos: João Paulo de Paula e Diógenes de Paula.

Ivan casou-se e teve dois filhos: Janaína Adorno Abadia e Ivan Carlos Pires de Abadia Júnior (falecido em 2003). Janaína casou-se com Wesley de Castilho Guimarães e teve dois filhos: Gabryel Gustavo Adorno Guimarães e Luyz Gustavo Adorno Guimarães. Ivan faleceu em 2008, na cidade de Manaus (AM), devido a complicações nos rins.

O filho caçula da Dinorá, Constantino, casou-se com Ângela Márcia Magalhães Marques, com quem teve uma filha, Rafaella Jaime Marques.

O primogênito, nascido antes do casamento, é Cristiano Dias Abadia, que foi casado e teve duas filhas: Hillary Dias Alves e Ranny Dias Alves. Atualmente, é casado com Joarina Novantino dos Santos, com quem não tem filhos.

Portanto, até então, a descendência de Dinorá conta cinco filhos, nove netos e seis bisnetos, que têm a história de vida da matriarca como grande e mais valiosa herança.

Para além da já mencionada beleza física, sempre lembrada por quem a conheceu, Dinorá se fazia presente pela oratória e pela habilidade com as palavras. Com sabedoria e doçura, levava a palavra de Deus a muitos lugares: católica, foi cursilhista dedicada.

O exemplo maior, porém, foi o do trabalho. Muito trabalhadora, manteve por vários anos um restaurante, à época, chamado de Pensão da Dona Dinorá. A maior parte dos recém-chegados a Palmeiras de Goiás passava pelo lugar, de bancários a servidores públicos, dos quais muitos terminaram por se tornar amigos.

Além disso, da cozinha de Dona Dinorá saíam sempre famosos salgados e quitandas, com destaque para as deliciosas “empadinhas” e “coxinhas”, preparadas com muito asseio e cuidado.

Entretanto, para conseguir manter em dia as expensas da casa, esse trabalho varava não só dias a fio, mas também noites adentro, quando contava com a ajuda dos filhos, cada qual com sua função.

Outro traço da personalidade de Dinorá era a honestidade, porém, sem dúvida, o maior deles foi a humildade, que se manifestava ainda na forma de caridade.

Talvez por isso demonstrasse evidente preferência pelos mais pobres e humildes: sua casa oferecia acolhida certa às pessoas mais simples, mais pobres e necessitadas ou às pessoas com deficiência. Dessa época, foi morar na casa de Dinorá a surda-muda Eva Dias (nascida em 1944), que de asilo temporário viu a casa se tornar lar permanente. Eva, depois de acompanhar Dinorá durante toda a vida, continua ainda hoje morando com a família.

Aos 40 anos, Dinorá ficou viúva quando os cinco filhos já beiravam a adolescência. O casamento durara 20 anos. Depois de um período de 5 anos de viuvez, casou-se novamente, com José Franco, com quem conviveu por outros 20 anos.

Em 11/2/2001, José morre e Dinorá sente muito a perda do segundo marido. Também em razão de graves problemas de saúde, entre os quais havia o embate diário contra o diabetes, ela se vê entregue a uma profunda tristeza nos anos seguintes. Cada vez mais sem saúde, ela já não consegue mais se animar por muito tempo, sem que haja um grande esforço.

Assim, em razão de complicações daquela doença, que afetou rins e outros órgãos, Dinorá vem a falecer em 10/10/2008. O funeral foi marcado por demonstrações espontâneas de amigos de longa data, por apreço de amizades construídas no decorrer da sua história, sem pompa e sem poder.

A família recebeu conforto de muitos moradores de Palmeiras e de cidades vizinhas, bem como da zona rural, que acabavam por dizer que “a casa da Dona Dinorá foi a minha primeira casa nesta cidade”. Os amigos humildes e constantes também fizeram questão de prestar suas últimas singelas e verdadeiras homenagens.

Esse foi o exemplo da conquista e do fortalecimento de laços em razão do amor e da compaixão, sem interesses. Esse carinho foi o derradeiro fruto colhido daquilo tudo que Dona Dinorá semeou em vida.

Palmeiras de Goiás, em 7 de outubro de 2016.

(Texto elaborado por Mara Antonia Pires de Abadia Rosa – filha)