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Hygino Pires Martins (Fonte: acervo da Família)

Hygino Pires Martins, filho de Manoel Pires de Moraes e Genoveva Martins de Souza, nasceu em 02 de agosto de 1904, na Fazenda Grande ou Comprida, hoje Município de Acreúna – GO.

 

Na escola da própria Fazenda, Hygino estudou com seus irmãos, com trabalhadores e vizinhos, para aprender a ler e escrever.

A partir de certa idade, o pai, Manoel, encaminhava seus filhos para um internato em Uberaba – MG, gastando 60 (sessenta) dias para ir e 60 (sessenta) dias para voltar, de carro de boi, em comitiva.

Com domínio de todas as operações matemáticas, história e geografia brasileira, e sabendo redigir boas cartas, no quarto ano, retornava para casa, a fim de trabalhar na lida da Fazenda com o pai.

Aos 22 anos, casou-se com Alice Borges Campos em Paraúna – GO, de onde voltou de seu casamento com as botinas nas costas por ter apertado o pé, mas não podia ter perdido a elegância na cerimônia de seu casamento!

Morando em um rancho no Pontal da Fazenda Grande, nasceram Ilda, Darci, Antonio, Oduvaldo, Margarida, Proto e Manoel.

Em 1941, mudaram para a nova sede – hoje a atual sede da Fazenda do seu filho caçula, onde tiveram mais 3 filhos: Genoveva, Rolandina e Sebastião.

A nova sede da Fazenda, construída em 1941, foi considerada a melhor sede da região, cuja inauguração foi comemorada com uma festa que teria durado 30 dias, com as participações de convidados que chegavam em caravanas, inclusive de Uberaba, além dos amigos, vizinhos e parentes de regiões mais próximas.

A sede Pontal da Fazenda Grande, da família de Hygino Pires Martins, em Acreúna – GO

Em 1950, a família mudou para Goiânia – GO, onde Hygino teve seu ultimo filho, Higino Pires Campos, carinhosamente chamado “Higininho” ou “Ginim”.

Na sua vida, Hygino era um homem voltado para o amanhã, um grande líder e visionário, levando seus filhos para a Capital para estudar, pois queria vê-los formados.

Além da formação escolar, outra característica marcante de Hygino se voltava para a atenção à saúde, não só da família, mas da comunidade local. Essa preocupação era efetivada pela contratação de dentista prático, que atendia toda a sua família, empregados e vizinhos.

Hygino era considerado o “médico do sertão”, cuidava de seus filhos e medicava-os com remédios caseiros, além de realizar pequenas intervenções em braços quebrados e pequenos tumores.

Dentre os inúmeros casos tratados por Hygino, ressalta-se o depoimento de Oduvaldo Pires Martins, quarto filho de Hygino, prestado ao seu irmão Sebastião Pires Campos, na companhia dos primos Osmar e Eliomar Pires Martins, durante visita à sede da Fazenda Três Lagoas – Acreúna, em 30 de dezembro de 2015.

Segundo Oduvaldo, quando menino, aos nove anos de idade, como era comum aos de sua idade naqueles tempos, ajudava os pais e seus irmãos na lida diária da Fazenda. Num certo dia, por infelicidade, sofreu um acidente e quebrou o braço com fratura exposta. O socorro veio prontamente do seu pai Hygino que,

[…] num movimento rápido e eficiente, recolocou o osso quebrado no lugar, aplicando erva de Santa Maria e resina de jatobá; em seguida, enfaixou o braço com folha de bananeira e, ao final, o imobilizou usando taquara de bambu […]. (MARTINS, 2015)

Vale ainda destacar do depoimento de Oduvaldo, outro aspecto da vida de Hygino, sempre operoso nos afazeres, tarefas e lidas diárias da Fazenda Grande, mas também, participativo nas atividades sociais da família, inclusive as religiosas:

[…] eu me lembro, aos 10 anos de idade, mais ou menos, de ter participado da Romaria do Divino Pai Eterno, a última comandada pelo nosso avô Manoel Pires de Moraes, ocasião em que saíram da sede da Fazenda Grande rumo á Trindade, percorrendo 6 léguas por dia, durante vários dias, creio que uma semana, cinco carros de boi carregados de mantimentos. Os carreiros eram meu pai Hygino e quatro dos nossos tios, quais sejam, os cinco filhos mais velhos de Manoel – Otávio, Hygino, Afonso, Leonardo e Azor […]. (MARTINS, 2015)

Por fim, destacamos duas frases sempre ditas por Hygino aos seus filhos e aos que desfrutavam da sua convivência prazerosa e produtiva, que denotam o seu espírito alegre, mas engajado para com as coisas boas, descontraídas ou sérias da vida:

“Escritura não se dá, se recebe”!

“O sino da escola era uma enxada velha”!

Goiânia, em 29 de setembro de 2016.

(Texto elaborado por Vanessa Pires Morales e Genair Pires Vieira – netas, com as colaborações de Sebastião Pires Campos e Rolandina Pires Damasceno – filhos, bem como de Osmar Pires Martins Júnior – sobrinho)