
Manoel Pires de Moraes (1875 a 1944) nasceu em Paraúna – GO, é filho de Quintiliano Pires dos Santos e Francisca Vieira de Moraes; teve quinze filhos, sendo onze em primeiras núpcias com Genoveva Martins de Souza, e quatro em segundas núpcias com Josefa Sardinha Pires.
Faleceu em 15 de outubro de 1944, às 15 horas, na Fazenda Grande ou Comprida, em Acreúna – GO, aos sessenta e nove anos de idade, vítima de hemorragia cerebral. Deixou um legado de realizações e contribuições ao desenvolvimento regional do oeste e sudoeste do estado de Goiás. Foi um próspero fazendeiro e pecuarista, dotado de leitura, conhecimento e capacidade de liderança, exercida por meio do trato cortês, educado e respeitoso para com as pessoas.
O PRIMEIRO MATRIMÔNIO
Manoel Pires de Moraes foi casado, em primeiras núpcias, com GENOVEVA MARTINS PIRES, filha do Senhor JOÃO CAMILO DE SOUZA e de Dona ANA MARTINS DA ROCHA, de tradicional família de fazendeiros da região de Rio Verde – GO.
Merece destaque uma passagem narrada na entrevista presencial, concedida em 28 de novembro de 2016, pela nora de Manoel Pires de Moraes, viúva de Jeová Sardinha Pires, a Dona LUÍZA ARANTES PIRES, nascida em 07/12/1925, hoje com 91 anos de idade, residente no Setor Sul, em Goiânia. Diz ela:
[…] O meu pai Afonso Carneiro Arantes e minha mãe Vitalina Carneiro Arantes tiveram quinze filhos – Pedro, João, Artur, Ronan, Geraldo, Afonso, Zulmira, Maria, Margarida, Sebastiana “Lola”, eu, Santana Arantes da Costa, Zeni (que faleceu moça), Zenóbia e Erondina Arantes (falecidas ainda criança). A Fazenda Baesse, dos meus pais, se localizava na confluência do Rio Verdão, Rio Verde e Rio dos Bois. A Fazenda Grande, do Sr. Manoel, ficava acima, no Rio Turvo. O papai Afonso e o Sr. Manoel foram muito amigos, amizade que se estendeu às esposas. Frequentemente, eles combinavam de matar porco e trocavam as peças do porco. O Sr. Manoel era um fazendeiro culto e educado. A mamãe Vitalina e a Dona Genoveva Martins Pires ficaram grávidas na mesma época, deram à luz duas meninas, que batizaram de Zulmira e Asmira – as suas filhas primogênitas, uma em homenagem à outra. […] (PIRES, 2016a)
O LEGADO EDUCACIONAL
O Sr. Quintiliano Pires dos Santos e a Dona Francisca Vieira de Moraes transmitiram aos seus filhos Manoel, Francisco, Felícia, Jovina e Antônia Pires de Moraes, a perseverança e a severa formação educacional para o trabalho, que representou para a região do sudoeste goiano um importante legado.
Nos primórdios da República, inexistiam escolas públicas no vasto continente brasileiro (GATTI JÚNIOR, 1997)[1]. Manoel Pires de Moraes e Genoveva Martins de Souza se desdobraram na formação educacional dos seus filhos. A única opção, então existente, era transportar os filhos Asmira, Otávio, Hygino, Afonso e Possidônia, em carros de boi, em longas jornadas, que duravam meses, até o município de Uberaba – MG, para matriculá-los, em regime de internato, nos ginásios particulares desta cidade.
A preocupação com a formação educacional dos filhos se manteve no segundo casamento com Josefa Sardinha Pires, quando o casal implantou na sede da fazenda e manteve em funcionamento, uma escolinha de alfabetização e educação dos nove filhos menores, além de netos e de outros filhos de trabalhadores ou de fazendeiros vizinhos interessados.
Vale ressaltar o testemunho que ODUVALDO PIRES MARTINS, filho de Hygino Pires Martins e Alice Borges Campos, prestou ao seu irmão SEBASTIÃO PIRES CAMPOS, durante entrevista presencial concedida em 30 de dezembro de 2015 aos primos Osmar e Eliomar Pires Martins, na sede da Fazenda Três Lagoas, em Acreúna:
[…] Eu fui alfabetizado por Josefa na escolinha da Fazenda Grande ou Comprida, mantida pelo meu avô Manoel. A vovó Josefa não usava e, não deixava, os professores castigarem os alunos com a palmatória […]. (MARTINS, 2015)
Dessa forma, o investimento educacional realizado pelo Patrono da Família Pires em Goiás repercutiu na formação dos seus 15 filhos, 81 netos e 213 bisnetos que, dotados das características herdadas de uma educação de berço, pela ética do trabalho e pela solidariedade humana, puderam contribuir para o desenvolvimento de importante região goiana.
O seu exemplo pessoal de vida inspirou não só os próprios familiares, como também pessoas da comunidade, sobretudo no estímulo ao trabalho e ao estudo. Era um leitor assíduo dos grandes jornais diários do país que, apesar das dificuldades de comunicação e circulação reinantes no fim da República Velha e início da República Nova, chegavam periodicamente à venda do Zé Caçador, localizada na encruzilhada das estradas de Rio Verde à Água Limpa (atual Jandaia) e de Arantina à Paraúna. Todos quantos passavam pela venda do Zé Caçador e se dirigiam à sede da Fazenda Grande ou Comprida, se dispunham a levar para o Sr. Manoel as encomendas dos jornais. E lá chegando eram convidados pelo fazendeiro para tomar parte da leitura.
O PIONEIRISMO DOS PIRES
O Senhor Quintiliano e Dona Francisca chegaram à região sudoeste de Goiás, em meados do século XIX, para criar e educar seus filhos Francisco, Felícia, Jovina, Antônia e Manoel Pires de Moraes. Os irmãos Pires de Moraes se destacaram na região do Matogrosso goiano por desbravarem enormes extensões de terras, onde se constituíram produtores rurais proprietários de fazendas e pecuaristas, com milhares de alqueires de terra e milhares de cabeças de gado.
Em terrenos localizados nos quinhões pertencentes e transmitidos aos descendentes e/ou sucessores dos Familiares Pires de Moraes surgiram povoados, distritos e cidades da mais importante região do centro-oeste goiano. Uma das mais importantes regiões do país, onde se instalou, a partir da década de 1970, uma pujante agroindústria, pilar da economia brasileira.
De acordo com as condições reinantes no Brasil da República Velha, encerrada em 1930, os proprietários rurais mais destacados exerciam papel social que hoje equivale ao desempenhado por múltiplas autoridades – juiz, delegado, prefeito, padre, etc. Os fazendeiros da família Pires de Moraes eram dotados de personalidade, caráter, retidão, honradez e sólido compromisso com o desenvolvimento humano, exerceram o seu desiderato com louvor e deixaram um legado reconhecido nos dias de hoje.
Os filhos do Senhor Quintiliano Pires dos Santos e Dona Francisca Vieira de Moraes, e seus descendentes, contribuíram efetivamente para o desenvolvimento e a formação dos municípios de Palmeiras de Goiás, Varjão, Indiara, Edéia, Acreúna, Paraúna, Turvelândia, São João da Paraúna, Firminópolis, Rio Verde, Iporá, Amorinópolis, sem excluir outras importantes cidades, como Goiânia, a Capital do estado de Goiás.
FRANCISCO PIRES DE MORAES[2]
FRANCISCO PIRES DE MORAES é o irmão primogênito de Manoel Pires de Moraes, foi casado com JOSEFINA CAROLINA DO CARMO ARANTES – Dona Zefinha.
O Sr. Francisco foi próspero produtor rural, com propriedades de mais de vinte (20) mil alqueires de terras, a maior parte herdada dos pais, o Sr. Quintiliano Pires dos Santos e Dona Francisca Vieira de Moraes, e outra parte adquirida posteriormente, em comunhão com sua esposa, Dona Josefina, na região de Acreúna – GO.
O Sr. Francisco e Dona Zefinha tiveram sete (07) filhos: MANOEL, FILOMENA, BERTULINA, ALTINA, INÁCIO, AMBROSINA e ANTÔNIO PIRES ARANTES.
O filho primogênito, Sr. MANOEL PIRES ARANTES teve também sete (07) filhos: BLANDINA PIRES PINTO (03/07/1916 a 21/09/1975), JOVILA PIRES PEREIRA (15/08/1917 a 26/01/1978), que foi casada com Joaquim Pereira; AFONSO PIRES; OROZINA PIRES; MARIANA PIRES; OZANA PIRES PEREIRA (04/05/1923 a 10/04/2011), que foi casada com seu primo LEONARDO PIRES MARTINS, filho do Sr. Manoel Pires de Moraes; e INOCÊNCIA ARANTES MARTINS, nome de casada INOCÊNCIA ARANTES PIRES, por casamento com o seu primo QUINTILIANO PIRES DE MORAES, também filho do Sr. Manoel Pires de Moraes.
O Sr. INÁCIO PIRES ARANTES foi pessoa bastante conhecida em Palmeiras de Goiás. Casou-se com Dona JORDELINA DO CARMO ARANTES, apelidada carinhosamente de “Jandica”.
Um dos filhos do casal, Sr. ALTINO PIRES ARANTES, casado com Dona ALMERINDA BATISTA ARANTES, foi próspero proprietário da Fazenda Boa Vista, em Paraúna, herdada pelo filho ALDORANDO PIRES ARANTES, residente em Acreúna, à Rua Altino Pires Arantes, n° 35, Centro.
A Dona AMBROSINA PIRES ARANTES casou-se com VALDEMAR MARTINS MARQUEZ e deixaram descendentes que, pelos trabalhos realizados, inscreveram seus nomes na história do município de Acreúna – GO. Um sobrinho de Dona Ambrosina, MANOEL PIRES MARQUEZ (in memoriam), denomina o prédio e a instalação da Estação de Tratamento de Água – ETA do município em referência.
O Sr. JOSÉ PIRES MARQUEZ (in memoriam) foi casado com Dona ELZA PIRES PEREIRA, tendo sido eleito pelos acreunenses para o cargo de Prefeito Municipal por mais de um mandato. Tiveram quatro filhos: ROBERTO PEREIRA MARQUEZ (falecido); MARCELO PEREIRA MARQUEZ, engenheiro civil; RENATA PEREIRA MARQUEZ, farmacêutica; e, ROGERIO PEREIRA MARQUEZ, engenheiro civil, vice-prefeito de Acreúna.
O neto de Dona Ambrosina Pires Arantes, o conhecido jornalista JUSCELINO KUBITSCHEK GOMES DA SILVA “JK”, foi Secretário de Comunicação Social de Goiânia, na gestão do prefeito Darci Accorsi (1993-96) que, segundo historiadores, desenvolveu uma das melhores administrações da história da capital dos goianos.
Outros descendentes de Francisco Pires de Moraes desempenharam importante papel no desenvolvimento do oeste goiano.
JERÔNIMO DE FARIA PIRES foi prefeito eleito de Edéia por dois mandatos, durante as décadas de 1970 e 1980. As suas gestões permanecem na memória da população Edeiense, conforme se depreende da denominação da Rodoviária, batizada com o seu nome.
JOVINA, FELÍCIA E ANTÔNIA PIRES DE MORAES
O Senhor Quintiliano Pires dos Santos e Dona Francisca Vieira de Moraes tiveram cinco filhos, dos quais, três eram mulheres: Jovina, Felícia e Antônia.
Jovina Pires de Moraes foi casada com VALERIANO LEÃO, o Coronel Vaiano, ambos falecidos e enterrados no Cemitério de Palmeiras de Goiás. O Coronel Vaiano exerceu importante papel no desenvolvimento da região do Matogrosso Goiano, tanto que dá nome a uma rua na cidade de Rio Verde, sua terra natal, onde morou com Dona Jovina e criou dois filhos, MARIA e MANOEL PIRES LEÃO.
MARIA PIRES LEÃO foi casada com JALES CARDOSO MACHADO (in memoriam), com quem teve dois filhos naturais, MIRIAN PIRES MACHADO e MIRON PIRES MACHADO, e uma filha adotiva, MARIA LOPES ALVES.
MANOEL PIRES LEÃO, por sua vez, teve três filhos: EMMANUEL OLIVEIRA LEÃO (in memoriam), que foi Escrivão Criminal em Palmeiras de Goiás; HELOISA OLIVEIRA LEÃO, residente na cidade do Rio de Janeiro – RJ; e EULER OLIVEIRA LEÃO, já falecido.
MARIA LOPES ALVES é residente em Palmeiras de Goiás, foi casada com BATUÍRA ALVES PEREIRA, falecido recentemente, em 25/11/2016, aos 74 anos de idade, com quem teve três filhos: MARCOS, LUCAS e ROGÉRIO LOPES ALVES. Este tem uma filha, ISABELLA.
As terras do casal Jovina e Coronel Vaiano Leão confrontavam com as de seus irmãos e irmãs, Manoel, Francisco, Felícia e Antônia Pires de Moraes, e se estendiam por milhares de alqueires na região onde hoje se instalou a Usina Denusa – Destilaria Nova União, entre os municípios de Palmeiras de Goiás, Paraúna, Edéia e Acreúna.
FELÍCIA PIRES DE MORAES foi uma grande proprietária de terras da região de Acreúna – GO. Durante a vida de criança e adolescente, residiu com os seus pais na Fazenda Grande, em Paraúna e, após o falecimento destes, passou a morar com sua irmã Jovina. Foi na residência da irmã, já casada com o Coronel Vaiano, no município de Palmeiras de Goiás, que faleceu solteira, em 1950, sem deixar descendentes.
ANTÔNIA PIRES DE MORAES foi uma das maiores proprietárias de terras da região de Palmeiras de Goiás. Casou-se com o próspero fazendeiro JOÃO MARTINS HONOSTÓRIO, e não tiveram filhos naturais. O Senhor João Martins Honostório foi Prefeito eleito de Palmeiras, pelo PSD, de abril de 1936 a novembro de 1937, quando renunciou. Logo após a sua renúncia foi revogada a lei que permitia eleger prefeitos, só retornando em 1947.
MANOEL PIRES DE MORAES
MANOEL PIRES DE MORAES foi proprietário da Fazenda Grande ou Comprida, localizada em parte do território do município de Paraúna, desmembrada do município de Palmeiras de Goiás e, na atualidade, situada no município de Acreúna – GO.

A fazenda possuía área de vinte e dois mil alqueires (1 alqueire goiano = 48.400m² = 4,84 ha), cobrindo grande extensão territorial, desde o Rio Veredão, nos limites de onde se instalou o Distrito de Arantina, passando pela futura sede do município de Acreúna, até o Rio Turvo, na divisa com os municípios de Jandaia e Indiara.
Nos dias atuais, a fazenda pode ser percorrida confortavelmente de carro, em estrada de boa qualidade pela GO 164 e BR 060, num percurso de 46 quilômetros (km), entre os Rios Veredão e Turvo.
Nas primeiras décadas do século XX, o percurso por toda extensão da Fazenda Grande ou Comprida somente poderia ser realizado pela condução animal, o único meio de transporte disponível. Para atravessar a Fazenda Grande ou Comprida de ponta a ponta, no trajeto citado Manoel Pires de Moraes, seus filhos, boiadeiros e trabalhadores demandavam um dia inteiro, um pernoite e boa parte da manhã seguinte, numa jornada cavaleira de seis léguas, durante oito horas por dia, sendo uma légua equivalente a seis quilômetros.
A dimensão da Fazenda Grande ou Comprida fornece uma ideia dos desafios e do correspondente caráter pessoal requerido para o ofício exitoso da lida rural, nas condições da década de 1930. O patrono Manoel Pires, sua esposa Genoveva (em primeiras núpcias) e Josefa (em segundas núpcias) e seus quinze filhos, ao empreenderem exitosamente uma grande propriedade rural para a criação extensiva de cinco mil cabeças de gado, estabeleceram uma relação humana familiar e social marcada pelo caráter probo, pela honradez, pela criatividade e compromisso com o trabalho produtivo, fértil e solidário.
PIONEIRISMO NO POVOAMENTO DA REGIÃO SUDOESTE DE GOIÁS
A Prefeitura de Acreúna, no seu portal, registra o pioneirismo de Manoel Pires de Moraes que, no início da República Federativa do Brasil, contribuiu para o povoamento da vasta região compreendida entre Palmeiras de Goiás, Paraúna, Jandaia, Rio Verde e Santa Helena de Goiás, bem como registra a participação decisiva do seu sétimo filho, Afonso Pires Martins e do seu décimo-segundo filho, Jeová Pires Sardinha, no histórico processo de criação do município de Acreúna, verbis:
[…] No início do século XX, chegou a estes agrestes sertões, proveniente de Bota-Fumaça, à época distrito do Município de Alemão, hoje Palmeiras de Goiás, Manoel Pires de Moraes, na verdade, o primeiro fazendeiro a aportar nessas terras. Logo depois dele, viera, Josefina Carolina Arantes, Olímpio de Almeida, Valeriano Leão e o coronel Félix Arantes.
Com a chegada dos pioneiros, formaram-se várias fazendas, sendo a principal delas, a Fazenda Grande, que dava nome ao conjunto de terras, desdobrando-se daquela em fazendas: da Posse, Comprida e São Felipe.
Nessa época, convivendo com perigosas feras, os pioneiros enfrentavam toda a sorte de problemas, sendo um dos principais os atinentes ao seu próprio abastecimento, que era feito em Itumbiara ou Palmeiras de Goiás, usando-se carros de bois que caminhavam dias e dias por atalhos abertos nas matas.
A primeira evidência de progresso surgiu com a abertura da estrada Goiânia-Rio Verde, promovida por Pedro Ludovico Teixeira. Essa estrada passava a 20 quilômetros das fazendas e era toda ela de péssima qualidade. Assim ia decorrendo a vida sacrificada daquela gente pioneira.
Nesta época [15 de outubro de 1944], faleceu o primeiro habitante, Manoel Pires de Moraes, e a Fazenda Grande passou a seu filho, Leonardo Pires Martins.
Até fins dos anos 50, toda a vasta região compreendida entre Paraúna, Jandaia, Rio Verde e Santa Helena de Goiás encontrava-se praticamente despovoada. Em seus campos, levemente ondulados, ainda passeavam despreocupadamente, bandos de caititus, veados e antas.
Em suas inúmeras lagoas e várzeas revoavam uma infinidade de pássaros aquáticos, completando o espetáculo multicolorido da natureza. Banhando essas terras, vamos encontrar, de um lado, o Rio Turvo, descendo mansamente com suas águas escuras, e do outro, o majestoso Rio Verdão, rolando suas águas prateadas até se encontrarem, bem mais abaixo, no Rio dos Bois.
Em março de 1956, sobrevoando a região em voo Goiânia/Rio Verde, pela extinta Companhia de Aviação Nacional, o passageiro Benedicto Arystogogo de Mello, emudecido, extasiava-se com este bucólico cenário.
Em 1961, define-se o traçado da futura Rodovia Brasília-Acre, e Arystogogo (que na época residia em Rio Verde), em companhia do Dr. Clayton Leão (então promotor de Justiça de Rio Verde) e do fiscal estadual Jeová Pires Sardinha, conseguiu chegar até a presença do proprietário das terras, o Sr. Leonardo Pires Martins, vindo a negociar com ele, adquirindo uma gleba de terras de 32 (trinta e dois) alqueires, denominada Fazenda Veredão, às margens da rodovia em construção […].
Ele que já trazia do passado a experiência de “fazedor” de cidades […]. De sua capacidade visionária, Benedicto Arystogogo de Mello encontra na terra a concretização dos sonhos. Acorda de si para o futuro, para a eternização de sua audácia. […] (ACREÚNA, 2016)[4]
ACREÚNA
Os nomes de Manoel Pires de Moraes e seus filhos Leonardo Pires Martins e Jeová Pires Sardinha estão registrados na história da cidade de Acreúna, ao lado de pioneiros como BENEDICTO ARYSTOGOGO DE MELLO, o promotor de justiça CLAYTON LEÃO, JOSEFINA CAROLINA ARANTES, OLÍMPIO DE ALMEIDA, VALERIANO LEÃO e o coronel FÉLIX ARANTES.
O município de Acreúna se originou por cessão de terras da Fazenda Veredão, herdada da Fazenda Grande ou Comprida, pelo sétimo filho de Manoel de Pires de Moraes, o fazendeiro LEONARDO PIRES MARTINS. Para isso, concorreu o irmão de Leonardo, décimo-segundo filho de Manoel, o fiscal estadual JEOVÁ PIRES SARDINHA, que o convenceu da importância de se criar uma cidade na região entre os Rios Veredão e Turvo.
A respeito da participação do Sr. Leonardo na criação do município de Acreúna, o advogado Osmar Martins Barros, que foi casado com Amélia Pires Sardinha, hoje tabelião aposentado com 86 anos de vida, nascido na Fazenda Cachoeirinha, filho de tradicional família rio-verdense, presta o esclarecedor depoimento:
[…] Em visita à minha terra natal, de passagem pela Loja de Móveis de Benedicto Arystogogo de Mello, à Rua Gumercindo Ferreira, no Centro da cidade de Rio Verde, em meados dos anos 1950, quando à época era Tabelião do Cartório do 2º Ofício de Iporá, ouvi o chamamento do próprio Arystogogo para que me mudasse para o recém-criado povoamento de Acreúna, em terras do Sr. Leonardo Pires Martins. Disse ele: ‘nós compramos uma parte do Sr. Leonardo e ele doou outra parte, ficando tudo registrado numa escritura de compra e venda’ […]
O depoimento acima deixa claro que a doação de parte das terras da Fazenda Grande ou Comprida, por parte do seu proprietário, Sr. Leonardo Pires Martins, foi decisiva para a criação da cidade de Acreúna.
Além de Leonardo e Jeová, os demais filhos e netos do Patriarca da Família Pires se destacam na região de Acreúna pelos serviços relevantes prestados ao desenvolvimento local. Vale citar o seu segundo filho, Otávio Pires Martins, que doou 20 alqueires de terras da sua fazenda para a criação do atual Distrito de Arantina e que, em reconhecimento ao seu trabalho em prol da população, foi eleito vereador Acreunense nos anos 1960; no ramo do comércio, o Posto Boa Ideia, de propriedade de Denir Pires Arantes; na atividade rural, os nomes dos fazendeiros Demoril Ferreira e sua esposa Denise Pires Ferreira; do fazendeiro Anor Bessa Ferreira e sua esposa Neusa Amélia Arantes Ferreira; e do fazendeiro Higino Pires Campos, sua esposa Maria de Lourdes Souza Campos e seu filho Rafael Souza Campos, dentre outros.
PALMEIRAS DE GOIÁS
A primeira filha do patriarca, ASMIRA PIRES RODRIGUES, instalou a sede da sua fazenda próxima à cidade de Palmeiras de Goiás. Hoje, esta sede se localiza na zona urbana, e foi transformada em Museu Municipal. Os seis filhos de Asmira – Geralda, Agustinho, Dinorá, Maria, Ely, Luiz e Mariana – dedicaram-se a diversos ofícios, destacando-se a engenharia civil, o tabelionato, a promotoria pública e o magistério. Os seus netos e bisnetos atuam em profissões as mais destacadas e contributivas à sociedade palmeirense, goiana e brasileira.
Com o fito de ilustrar o que se discorreu acima, cita-se Luiz Rodrigues Pires, tabelião aposentado do Cartório do 1º Ofício de Palmeiras de Goiás; Constantino Pires Abadia, enfermeiro e vereador que exerceu a presidência da Câmara Municipal de Palmeiras; Agustinho Rodrigues Pires, engenheiro civil que alçou voo para Belo Horizonte onde se destacou neste ramo de atuação; Mariana Pires de Paula, Promotora de Justiça que dignifica o Ministério Público do Estado de Goiás.
EDÉIA
Os oito filhos de OTÁVIO PIRES MARTINS – Genoveva, Tereza, Alvacy, Dirce, Gety, Geny, Manoel e Valdeci “Deco” – com seus 80 netos e bisnetos, contribuíram e contribuem para o desenvolvimento da região de Acreúna e de Edéia – GO.
Otávio, o segundo filho de Manoel Pires de Moraes, foi vereador de Acreúna, na década de 1960; foi produtor rural, tendo instalado a sede de sua fazenda em Edéia, nela residiu, trabalhou e faleceu, cavalgando na lida rural, quando, no início da década de 1970, ele e seu cavalo foram mortos por picadas de abelhas silvestres.
Dentre as centenas de netos e bisnetos que se sobressaem como fazendeiros, comerciantes, profissionais liberais, professores e outras atividades honradas, destaca-se o filho caçula de Otávio, VALDECI PIRES DE OLIVEIRA, falecido ainda no vigor da vida, por problemas cardíacos, em dezembro de 2015.
VALDECI foi prefeito municipal de Edeia, onde seu nome e o de seus familiares desfrutam de prestígio, respeito e admiração, em decorrência do trabalho, do compromisso e da contribuição que prestam à sociedade edeiense.
TURVELÂNDIA
Nesta cidade, destaca-se o casal DEMORIL FERREIRA JÚNIOR e sua esposa, a médica oftalmologista Luciana Cunha do Prado. Ele é filho de Denise Pires Ferreira, neto de Dágna Pires Sardinha e bisneto de Manoel Pires de Moraes.
DEMORIL JÚNIOR foi eleito vereador e, durante sua legislatura, exerceu a presidência da Câmara Municipal de Turvelândia. O seu mandato foi bastante produtivo e intensamente ligado aos segmentos sociais da atividade rural e do comércio, tendo se constituído líder das tradições culturais regionais.
GOIÂNIA
A família Pires contribui para o desenvolvimento da capital dos goianos, por intermédio de familiares que integram tanto a iniciativa privada como a gestão pública.
SEBASTIÃO PIRES CAMPOS, filho de Hygino Pires Martins e neto de Manoel Pires de Moraes, juntamente com sua esposa Carmen Lúcia Pires Morales e os filhos Adriano, Vanessa e Jordana Pires Morales, são empreendedores do ramo da construção civil e da hotelaria, gerando empregos, renda e tributos aos cofres públicos.
Sebastião Pires Campos é engenheiro civil, empreendedor e líder empresarial que presidiu diversas organizações sindicais patronais; é diretor-proprietário da Canadá Construtora, uma das maiores deste ramo não só em Goiás, mas no País.
VANESSA e JORDANA PIRES MORALES são empreendedoras do ramo da hotelaria, sendo que a primeira exerce a presidência da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira de Goiás – ABIH-GO; são sócias-proprietárias da Vivence Suíte Hoteis, uma rede inovadora na hotelaria do turismo sustentável.
MARIA APARECIDA ARANTES PIRES DE MORAIS “Cida” e LÚCIA HELENA ARANTES PIRES DI G. RESENDE “Lena”, filhas de Jeová Pires Sardinha e netas de Manoel Pires de Moraes, foram sócias-proprietárias do Bar e Restaurante Companhia do Peixe, considerado por especialistas em gastronomia, por muito tempo, como uma das casas mais qualificadas do ramo em Goiânia.
AZOR e seu filho PAULO PIRES DE MORAES empreenderam no bairro de Campinas a Fábrica de Chapéus Sandra, de 1964 a 1973, empregando dezenas de pais de família, gerando renda e produzindo, de forma inovadora, um produto de elevada qualidade.
Além dos familiares que se destacam no setor privado, vale destacar a atuação no setor público. FABÍOLA EVANGELISTA MARTINS, filha de Sueli Martins Evangelista, neta de Manoel Pires Martins e bisneta de Manoel Pires de Moraes, é juíza do trabalho lotada no Tribunal Regional do Trabalho – TRT da 18ª Região, com sede em Goiânia. A sua irmã, GRAZIELA EVANGELISTA MARTINS BARBOSA E SOUZA seguiu o mesmo caminho, mas desenvolve o ofício da magistratura no TRT da 2ª Região, em São Paulo.
Diversos integrantes da família Pires participaram de gestões do Poder Executivo Municipal da capital de Goiás, contribuindo para a melhoria da qualidade de vida do goianiense. Na gestão ambiental de Goiânia, durante a Administração do Prefeito Darci Accorsi (1993-96), o biólogo OSMAR PIRES MARTINS JÚNIOR, bisneto de Quintiliano Pires dos Santos e neto de Manoel Pires de Moraes, exerceu a titularidade da pasta do Meio Ambiente, sendo responsável pelo resgate do berço ecológico de Goiânia, pela recuperação de áreas verdes das mãos de grileiros urbanos; pela implantação do Jardim Botânico, na Vila Redenção/St. Pedro Ludovico; Parque Vaca Brava, no St. Bueno; Parque Areião, no St. Marista; Parque Botafogo, no St. Central/Vila Nova; Parque Flamboyant, no Jardim Goiás; Parques dos Beija-Flores e da Liberdade, ambos no St. Jaó; e Parque Carmo Bernardes, no St. Atheneu/Mariliza.
Na mesma Administração do Prefeito Darci Accorsi, o jornalista JUSCELINO KUBITSCHEK GOMES DA SILVA “JK”, trineto de Quintiliano Pires dos Santos e bisneto de Francisco Pires de Moraes, foi Secretário de Comunicação Social de Goiânia e teve participação ativa no Projeto Goiânia Viva e no Orçamento Participativo, que representaram inovações revolucionárias na área da habitação popular e da gestão democrática das obras públicas.
ESTADO DE GOIÁS
Destaca-se MARCONI FERREIRA PERILLO JÚNIOR, bisneto de Manoel Pires de Moraes, neto de Asmira Pires Rodrigues e filho primogênito de Maria Pires Perillo, nascido em Goiânia e criado em Palmeiras de Goiás.
Trata-se do mais ilustre membro da família, que, ainda jovem, já foi conduzido pelo povo goiano, por quatro vezes, ao cargo de máxima responsabilidade do estado, qual seja, o de governador, além de ter sido deputado estadual, federal e senador da República.
As quatro gestões realizadas à frente do governo goiano pelo bisneto de Manoel Pires de Moraes representaram a modernização do estado em todas as áreas, da cultura à infraestrutura, da organização do Estado ao funcionalismo, como se demonstra na sua biografia, publicada nesta obra logo a seguir.
DEPOIMENTOS
A vida e a personalidade de Manoel Pires de Moraes podem ser sintetizadas na afirmação de que ele deu sequência aos trabalhos pioneiros dos seus pais Quintiliano Pires dos Santos e sua mãe, Dona Francisca Vieira de Moraes, mantenho o trato cortês para com as pessoas e o modo civilizado nas relações sociais. E tais características foram geradas e transmitidas pela educação de berço forjada na Fazenda Grande ou Comprida.
Alguns depoimentos abaixo atestam sobre isso:
Maria Lopes Alves – dona de casa, residente em Palmeiras de Goiás, filha adotiva de Jovina Pires de Moraes:
[…] Os meus pais, José Lopes da Costa e Jerônima Ferreira da Silva, faleceram por afogamento, ao tentarem atravessar o Rio Turvo, na Fazenda Grande, em 1945. Eu fique órfã, com a idade de apenas um ano e oito meses. Fui adotada por Jovina, irmã de Manoel, Francisco, Felícia e Antônia, e filha do Sr. Quintiliano e Dona Francisca. Jovina foi casada com o Coronel Vaiano, que me criaram até a idade adulta. Aprendi a admirar e respeitar a sua família, que passou a ser minha, pela forma educada e correta de tratar as pessoas […]. (ALVES, 2017)
Alvacy Pires Arantes Júnior – Odontólogo, neto de Otávio Pires Martins e bisneto de Manoel Pires de Moraes, que diz:
[…] Quando criança, eu nunca ouvi a voz do meu avô Otávio em tom fora da normalidade. Dizia sua esposa, minha avó Benvinda Arantes, que se tratava de uma característica da personalidade dos Pires, herdada de Manoel Pires de Moraes […]. (ARANTES JÚNIOR, 2016)
Osmar Martins Barros – Advogado, fazendeiro e tabelião aposentado, genro de Manoel Pires de Moraes, que diz:
[…] A minha sogra Josefa Sardinha Pires, que faleceu em 1989, se casou com Manoel Pires de Moraes em 1926, quando tinha 21 anos, conhecendo-o pessoalmente no altar da igreja para a celebração do matrimônio, que perdurou por quase duas décadas, e só terminou, em 15 de outubro de 1944, com o falecimento do patriarca. Na oportunidade em que esse assunto foi tratado, durante o período de 37 anos que fui casado com Amélia Pires Sardinha e convivi com minha sogra, ela dizia, com muita discrição, que ao lado do Sr. Manoel sempre foi feliz. Assim, confirmou-se o aconselhamento do seu pai, Sr. Abílio Sardinha da Costa, segundo o qual, tendo o Sr. Manoel cuidado de 11 filhos, dela também saberia cuidar, que a convenceu aceitar o pedido para com ele desposar […]. (BARROS, 2016)
Goiânia, em 06 de outubro de 2016.
(Texto elaborado por Osmar Pires Martins Júnior – neto; com a participação de Eliomar Pires Martins – neto; e de Clélia Aparecida Urias Rodrigues – bisneta)
[1] GATTI JÚNIOR, Décio; INÁCIO FILHO, Geraldo; ARAÚJO, José Carlos Souza; GONÇALVES NETO, Wenceslau. História e memória educacional: gênese e consolidação do ensino escolar no triângulo mineiro. In: HISTÓRIA DA EDUCAÇÃO. ASPHE/FaE/UFPel, Pelotas (2): 5-28, set. 1997. [2] Com a participação de Aldorando Pires Arantes, agropecuarista em Acreúna; e de Juscelino Kubitschek Gomes da Silva, jornalista em Goiânia - bisnetos de Francisco Pires de Moraes. [3] IBGE. Cidades. Disponível em: <http://cidades.ibge.gov.br/painel/painel.php?lang=&codmun= 520013&search=||infogr% E1ficos:-dados-gerais-do-munic%EDpio>. Acesso em: 17 de out. 2016. [4] ACREÚNA. Site da Prefeitura Municipal. A história da cidade. Disponível em: <http://acreuna.go.gov.br/site/index.php/acreuna/ historia>. Acesso em: 15 out. 2016.
