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Maria Aparecida Pires de Araújo e o esposo José Leão Carneiro da Cunha Neto (Foto: arquivo da Família)

Maria Aparecida de Araújo é a caçula dos três filhos de Maria Pires de Araújo e José Olímpio de Araújo, nascida em Anápolis – GO, em 26 de novembro de 1944.

 

Foi órfã de pai com apenas sete anos, junto com os irmãos, José Carlos e Tequinho, com 10 e 12 anos de idade, respectivamente. Os irmãos acompanharam os passos da mãe, na luta pelo pão de cada dia e também para receber uma educação escolar.

Quando foi à escola pela primeira vez, já com oito anos, Maria Aparecida já havia sido alfabetizada pela mãe. Ela fez o curso primário na Escola Paroquial Nossa Senhora da Conceição, ligada à Matriz de Campinas, que funcionava com recursos da igreja e era especialmente voltada a ensinar estudantes de menor poder aquisitivo. Escola de bom nível, dirigida por Irmãs Franciscanas, as mesmas que administravam o Colégio Santa Clara, famoso pela boa educação, inclusive foi onde a sua mãe estudou também.

O curso ginasial foi feito no Liceu de Campinas, antigo Colégio Estadual Pedro Gomes. Também, um bom colégio, bons mestres, bons colegas. Passou a adolescência por ali.

“Ai que saudades tenho, da aurora da minha vida…”, ela suspira.

No segundo grau, optou em seguir o curso Técnico em Contabilidade que, além de habilitar para o exercício de uma nova profissão, a capacitou para concorrer a um vestibular para um curso de graduação. Com esse curso, Maria Aparecida sentiu que as portas estariam se abrindo, para o futuro e para a vida.

Desde o curso primário, paralelamente ao estudo, ela foi aprendendo e ajudando nas lidas domésticas. Colaborava também na venda dos mágicos quitutes que a mãe fazia com “mãos de fada”.

“Mãos de fada que não eram privilégio só de Maria Pires de Araújo, mas também, de suas irmãs mais velhas, Asmira e Possidônia, que passaram os dons culinários para suas irmãs mais jovens, Genoveva, Dágna e Amélia. Elas todas eram umas verdadeiras mágicas na cozinha. Transformavam simples ingredientes em verdadeiros banquetes. Só em lembrar, me dá água na boca”, relembra.

Concomitante com os cursos ginasial e técnico em Contabilidade, Maria Aparecida foi conseguindo alguns trabalhos, como datilógrafa, auxiliar de escritório e auxiliar de contabilidade. Aos quinze anos de idade,teve a carteira de trabalho assinada pela primeira vez, desde então não mais ficou sem vínculo empregatício e sem a Previdência Social.

Com o trabalho que desenvolvia como auxiliar de contabilidade e mais o curso técnico que fazia, teve a vocação despertada para a Ciência da Contabilidade. Ficou cerca de dois anos sem estudar, quando, trocando ideias com mãe, tomaram a decisão de irem morar em Brasília, na companhia do irmão Tequinho, que lá já se encontrava fazendo seu curso de Engenharia.

Chegou a Brasília no início dos anos 70, já com emprego, e em busca de melhores dias. Estudou bastante e enfrentou o vestibular para o Curso de Ciências Contábeis, no Centro de Ensino Universitário de Brasília – CEUB, sendo aprovada e tendo concluído o curso.

Passou por alguns empregos, tanto no setor privado como no setor público, sempre procurando melhores salários e melhores condições de trabalho.

Em 1974, surgiu um concurso público para a área de contabilidade, na Câmara dos Deputados. Inscreveu-se e fezz um propósito de passar nas provas. Todas as diversões, inclusive o namorado, hoje seu companheiro, ficaram em segundo plano.

“Enterrei a cara nos livros, com dedicação exclusiva. Graças a Deus fui aprovada, tomei posse no mesmo ano, no quadro efetivo dos funcionários daquela Casa do Poder Legislativo”, recorda.

Lá dentro da Câmara Federal fez carreira, vários amigos, dentre eles, Patrícia e Ataliba, hoje marido e mulher que são como seus irmãos. Irmãos esses que não os têm em Brasília. Como o curriculum vitae voltado para a área de contabilidade, na Câmara não foi diferente.

Aposentou-se pela Câmara Federal, em junho de 1993, no cargo de Diretora de Contabilidade e Finanças, com somente 48 anos de idade, tudo de acordo com a legislação vigente, que permitia a aposentaria pela contagem do tempo de serviço, sem levar em conta uma idade mínima do trabalhador.

Hoje participa como conselheira da Associação dos Aposentados da Câmara dos Deputados, onde frequenta semanalmente reuniões e mata as saudades dos colegas. Um convívio muito bom e ao mesmo tempo proveitoso que não a deixa na exclusiva ociosidade.

Casou-se em 1980, com José Leão, uma pessoa maravilhosa, equilibrada, séria, com quem aprendeu muito sobre a vida e com ele vive até hoje. Não tiveram filhos, porque Deus assim quis, mas vive muito bem e feliz.

Antes mesmo de se aposentar compraram uma fazendinha, localizada no município de Corumbá de Goiás, que é para eles um pedacinho do céu na terra, onde criam animais e vão sempre que podem, para curtir a natureza e mais tudo que lá existe.

Hoje, as vésperas de completar 72 anos de idade, Maria Aparecida olha para trás e vê a diferença, para melhor, entre os seus sete anos e agora.

“O que me falta é simplesmente juventude, mas não me importo, pois, se me falta juventude, sobra a experiência. Vejo que aproveitei todos os bons momentos que a vida me ofereceu. Ainda hoje, dentro das minhas limitações, aproveito tudo que posso”, afirma.

Brasília – DF, em 05 de setembro de 2016.

(Texto elaborado por Maria Aparecida de Araújo)