
Maria Pires de Araújo acordava todas as manhãs com essa jaculatória:
“Louvado seja,
Nosso Senhor Jesus Cristo,
para sempre seja louvado”.
Era a sexta filha de Manoel Pires de Morais, dentre quinze irmãos, sendo onze do primeiro casamento de seu pai com Genoveva Martins de Souza, e mais quatro irmãos, do segundo casamento com Josefa Sardinha Pires.
Nascida em 16 de abril de 1911, na Fazenda Grande ou Comprida, município de Palmeiras de Goiás, onde viveu até os vinte e oito anos de idade, saindo apenas por dois anos para estudar no Colégio Santa Clara, em Campinas – uma escola tradicional e de conceituada atuação, anterior à criação da nova Capital, Goiânia, em 1933.
Com o falecimento de sua mãe, Genoveva Martins de Souza, em 1925, ela e suas duas irmãs mais velhas, Asmira e Possidônia, passaram a cuidar de seus irmãos menores, dentre eles Genoveva e Manoel (Veva e Manoelzinho), que tinham entre quatro e dois anos.
Em 1939, numa viagem para Campinas, onde ia comprar o enxoval para se casar com um fazendeiro abastado e famoso da região do sudoeste goiano, conheceu José Olímpio de Araújo, chofer da jardineira de transportes de passageiros, que fazia o percurso da Fazenda a Campinas, pelo qual deve ter se apaixonado.
Desfez-se do compromisso inicial, casando-se com este último, em 11 de maio de 1939.
Casados, foram morar em Campinas, levando consigo sua irmã mais nova, Genoveva, já grandinha. Dessa união, surgiram os seguintes descendentes diretos e indiretos:
Ord. |
Descendente |
D. Nasc. |
Cônjuge |
D. Nasc. |
1. |
Maria Pires de Araújo |
16/04/1911 |
José Olímpio de Araújo |
22/01/1912 |
1.1 |
Elcione Pires Araújo |
07/04/1940 |
Maria Eclésia Fonseca Araújo |
08/12/1950 |
1.1.1 |
Adriene Fonseca Araújo |
12/10/1976 |
Fábio Arduin Venturini |
28/08/1974 |
1.1.1.1 |
Luca Araújo Venturine |
28/06/2011 |
||
1.1.1.2 |
Stela Araújo Venturine |
28/12/2012 |
||
1.1.2 |
Elcione Pires Araújo Jr |
11/01/1978 |
Martha Ayres Denk |
10/10/1985 |
1.1.3 |
Eveline Fonseca Araújo |
03/06/1979 |
Christophe Schellinck |
19/04/1972 |
1.1.3.1 |
Tiago Schellinck |
15/11/1910 |
||
1.1.3.1 |
Elena Schellinck |
22/12/1912 |
||
1.2 |
Jose Carlos de Araújo* |
10/03/1942 |
Lourdes Lemes de Araújo*1 |
17/10/1949 |
1.2.1 |
Jose Carlos de Araújo Jr |
04/08/1969 |
Christiane Medeiros Val de Araújo |
08/01/1972 |
1.2.1.1 |
Amanda Ribeiro de Castro |
sem inform. |
||
1.2.1.2 |
Letícia Medeiros Val de Araújo |
18/12/2009 |
||
1.2.2 |
Cristiane Lemes de Araújo* |
01/08/1972 |
||
1.2.3 |
Cleber Lemes Araújo |
10/03/1976 |
||
1.2 |
José Carlos de Araújo |
Luzia Severino de Araújo*2 |
24/05/1960 |
|
1.2.4 |
Anna Carla Severino de Araújo |
01/01/1994 |
||
1.3 |
Maria Aparecida de Araújo |
26/11/1944 |
José Leão Carneiro da Cunha Neto |
29/04/1944 |
Legenda: |
1.1.1.1 – Trinetos |
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1.- Maria Pires de Araújo – filha de Manoel Pires de Morais |
* in memoriam |
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1.1 – filhos |
*1 – Primeira esposa de José Carlos de Araújo |
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1.1.1 – netos |
*2 – Segunda esposa de José Carlos de Araújo |
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Também fez parte dessa família, Genoveva, que morou com o casal até 1943, quando então se casou com Antônio de Pádua Silva Leão.
Maria Pires viveu com seu esposo, José Olímpio, conhecido por “Zé Teco” (daí o apelido do Elcione de “Tequinho”), por 13 anos, até que lhe aparecera um problema respiratório.
Lamentavelmente, os tratamentos disponíveis não foram suficientes para salvar a vida de José Olímpio, que veio a falecer em setembro de 1952.
“Zé Teco” foi um homem versátil, sério, respeitador, trabalhador, negociante, de poucos vícios, mas, por outro lado, foi um bon vivant, e gostava de carteado.
Viúva aos 41 anos de idade, Maria Pires, sem recursos financeiros e patrimoniais, pouca escolaridade, pouco conhecimento da vida urbana e com três filhos menores, foi à luta para criá-los.
Lavou e passou, fez salgados e doces para vender e os filhos não mediram esforços, e caíram em campo para ajudar no sustento da casa.
Na sua luta contou com ajudas imprescindíveis de todos os seus irmãos. Uns mais, outros menos, mas, todas foram importantes.
Dois acontecimentos marcantes merecem destaque nessa época de altos e baixos da vida da viúva Maria Pires:
1º – Nos idos de 1955, o irmão Manoelzinho, preocupado com as dificuldades que ela se encontrava, mexeu e virou e conseguiu, via seu cunhado, José Monteiro do Espirito Santo, homem de nome e conhecido em Goiânia, um lote de terra com o então prefeito de Goiânia, João de Paula Teixeira Filho, o conhecido “Parateca”;
2º – Ubaldina de Souza, tia de Maria Pires por parte de mãe, também lhe deu as mãos. Com o mesmo sentimento de Manoelzinho, foi nos parentes, com maior poder aquisitivo, onde angariou recursos suficientes para construir uma casa modesta, porém descente, no lote que recebera anteriormente do prefeito.
Ubaldina fez-lhe uma surpresa, entregando-lhe as chaves, contratando o caminhão para fazer a mudança e mais uns trocados que sobraram, que deram para muitas coisas.
Um aparte: Manoelzinho, José Monteiro e Ubaldina, por coincidência ou não, eram seguidores do espiritismo, ciência que ensina muito amor e caridade para com o próximo.
Essas duas grandes ações foram uma benção que até hoje se reflete na vida dos filhos de Maria Pires.
Maria Pires ensinou aos filhos que o trabalho, o estudo e a honestidade são os pilares da vida. Com base nesse tripé, os filhos foram sendo criados.
O tempo foi passando, os meninos crescendo e, pouco a pouco, se tornando independentes de ajuda da família.
Quando chegaram à idade adulta, se tornaram cidadãos honrados e profissionais qualificados.
Tequinho e Maria Aparecida fizeram curso superior e hoje são, respectivamente, engenheiro e contadora, já aposentados.
Zé Carlos, com uma profissão não menos digna, profissionalizou-se como torneiro mecânico, e conseguiu uma vida decente.
Seus netos, criados em época bem mais amena, estão todos formados e aptos a seguirem suas trajetórias.
Nos últimos quatro anos de sua vida, já adoentada, Maria Pires morou em Brasília, na companhia de sua filha Maria Aparecida. Teve toda assistência material e espiritual possível, mas, acometida de uma pneumonia dupla, veio a falecer em 25 de setembro de 1995, com 84 anos, deixando um vazio enorme.
Pelos seus gestos de honradez, firmeza e persistência, seus filhos respiram fundo, para não chorar, quando dela se lembram.
Brasília/DF, em 23 de agosto de 2016.
(Texto elaborado por Maria Aparecida de Araújo – filha)
