
Maria Pires Perillo, nascida a 10 de abril de 1938, em Palmeiras de Goiás, foi a quarta filha de Augusto Rodrigues Filho e Asmira Pires Rodrigues. Casou-se com Marconi Ferreira Perillo, com quem teve quatro filhos: Marconi Ferreira Perillo Júnior, Antônio Pires Perillo, Vânia Pires Perillo Cardoso e Tatiana Pires Perillo Fleury, além de nove netos.
Nascida e criada na Fazenda Serrano, no município de Palmeiras de Goiás, aprendeu desde menina, com seus pais, o amor ao trabalho, à escola e a ter fé em Deus. Fez todos os trabalhos mais duros na lida rural. Mas foi com Dona Asmira que aprendeu o valor da Educação.
Sua mãe lhe ensinou e ela transmitiu aos filhos, que a maior herança que os pais podem legar aos filhos é a Educação, o conhecimento, o diploma. Dona Asmira sempre lhe dizia: “Este ninguém pode tomar ou roubar”. Com este foco, ela e os seus irmãos foram enviados, muito cedo, para boas escolas em centros mais avançados em Educação.
Ainda na adolescência, Maria Pires Perillo foi estudar no Colégio Católico Maria Auxiliadora, em Silvânia, e depois, para o não menos tradicional Colégio Santa Clara, no bairro de Campinas, em Goiânia.
Viveu boa parte de sua vida na cidade de Palmeiras, onde cultivou muitos amigos e se notabilizou pela sua extraordinária força de trabalho, pela dedicação sem limites aos filhos, pelo amor ao esposo e, sobretudo, por seu caráter, personalidade forte, franqueza, coragem, determinação, que estavam entre os valores e princípios que sempre cultivou.
Ensinou aos filhos a trabalhar desde os seis anos de idade. Naquela época, menino que não trabalhava era chamado de “vadio” e para Dona Maria seria preferível ver um filho morto a um filho desviado do caminho do trabalho.
Outro traço da personalidade de Maria Pires Perillo era o amor aos mais pobres, humildes, simples e pelos trabalhadores, para os quais ela dedicava integral e verdadeira atenção e amizade. Dona Maria não titubeava entre prestigiar uma simples festa de um trabalhador pobre a uma glamorosa festa de rico, ainda mais se fosse soberbo ou arrogante.
Durante quase vinte anos ela viveu em Goiânia, onde trabalhou incansavelmente, especialmente no comércio da família, o “Canindé Chopp”, no Setor Oeste.
Seus últimos 14 anos de vida foram na Fazenda Mateus Machado, em Pirenópolis, onde cultivou todo tipo de flores, rosas, plantas, além de manter dezenas de pés de frutas, hortaliças, criações. Neste período, ficou ainda mais conhecida por seus atos de caridade em toda a região. Foi lá o seu último e maior “paraíso encantado”, como ela gostava de se referir.
Ao final da vida, tinha assistido à formatura de todos seus filhos, genros e noras, e ainda, de muitos de seus netos. Essa era a sua preocupação maior: a educação. Assistiu a um de seus filhos receber seis diplomas e posse em cargos importantes no Legislativo e no Executivo.
Suas principais nobrezas e virtudes foram os compromissos inarredáveis com a educação, com o trabalho, a honestidade, o caráter, a simplicidade, a caridade, o amor e a dedicação à família e aos mais humildes.
Faleceu no dia 18 de junho de 2012, aos 74 anos, depois de resistir heroicamente, por mais de seis anos, a um câncer.
Após sua morte, Dona Maria tem sido alvo de dezenas de homenagens generosas, que denominaram Centros Culturais, Conjuntos Habitacionais, Parques Ecológicos, Unidades de Terapia Intensiva (UTIs), Alas de Hospitais, Creches, Escolas, dentre outras não menos importantes.
Para homenagear a guerreira Dona Maria Pires Perillo, vale recorrer aos versos da poetisa maior, Cora Coralina:
“Eu sou aquela mulher
a quem o tempo muito ensinou.
Ensinou a amar a vida,
não desistir da luta,
renascer da derrota,
renunciar às palavras,
e pensamentos negativos.
Acreditar nos valores humanos
a ser otimista e a ser guerreiro.
Aprendi que mais vale
tentar do que recuar…
Antes acreditar que duvidar,
o que vale a vida
não é o ponto de partida
e sim a nossa caminhada.”
Goiânia, em 29 de setembro de 2016.
(Texto elaborado pelo governador do Estado de Goiás Marconi Ferreira Perillo Júnior – filho de Maria Pires Perillo)
