
Otávio Pires Martins foi o segundo filho de Manoel Pires de Moraes e Genoveva Martins de Souza, nascido em 28 de novembro de 1903, na Fazenda Grande ou Comprida, no município de Paraúna – GO.
Juntamente com os mais velhos dos seus quinze irmãos – Asmira (1902), Hygino (1904), Afonso (1906), Possidônia (1908), Maria Pires (19011), Leonardo (1913) – estudou nas primeiras instituições escolares urbanas do período republicano, em regime de internato, nas cidades de Uberaba, Uberlândia ou de Araguari, em Minas Gerais.
A única opção dos pais era matricular os filhos numa das instituições particulares existentes no Triângulo Mineiro para promover a educação dos filhos. Em Uberaba, a opção mais viável, existia o Colégio Nossa Senhora das Dores, fundado em 1885 e ligado à Congregação das Irmãs Dominicanas; outra opção era o Colégio Marista Diocesano, da Congregação dos Irmãos Maristas, fundado em 1903 (GATTI JÚNIOR, 1997).
Assim, o seu pai, Manoel, zeloso e dedicado à educação dos filhos, transportava-os, inclusive Otávio, de carro de boi, em comitiva, da sede da fazenda, em Paraúna, até a cidade de Uberaba, a mais acessível do Triângulo Mineiro, numa jornada de quatro meses, de ida e de volta, para serem matriculados e internados em colégio de rígida educação católica.
Otávio era um homem elegante, magro, alto, moreno, rosto firme, cabelos escuros e lisos. Ele mancava da perna esquerda, em decorrência de um acidente sofrido na lida rural e que lhe quebrou a perna.
Sempre viveu na zona rural, desde criança na Fazenda Grande ou Comprida, de seu pai, em Paraúna, até o fim de sua vida, na sua fazenda, em Edéia, onde faleceu em 14 de outubro de 1980, durante o trabalho, quando campeava o gado, picado por um enxame de abelha europa, que o atacou e matou também o seu cavalo.
O vínculo à terra e o exercício da atividade de produtor rural, entrementes, não o isolava das preocupações com o processo de desenvolvimento urbano local e regional. Na década de 1950, doou 20 alqueires de terras da sua fazenda, escrituradas em nome do oficial de justiça de Paraúna, Jerônimo Vasconcelos, para o assentamento de posseiros que deu origem ao atual distrito de Arantina, em Acreúna.
A conduta ilibada e os compromissos de Otávio para com a comunidade o conduziram ao exercício do mandato de vereador, para o qual foi eleito pelos eleitores Acreunenses, na década de 1960.
Foi casado com Dona Benvinda Arantes Oliveira (in memoriam); o casal residiu na sede da fazenda localizada na região entre Arantina, hoje município de Acreúna e Edeia – GO, onde nasceram seus oito (08) filhos – Genoveva (in memoriam), Tereza, Alvacy (in memoriam), Dirce, Gety, Geny, Manoel (in memoriam) e Valdeci (in memoriam).
Os filhos de Otávio mantiveram a tradição do pai e permaneceram enraizados na região de origem, onde se casaram, tiveram seus filhos e netos, com geração de noventa e três (93) familiares inseridos na comunidade regional, por meio de atuações respeitosas nas suas diversas atividades profissionais, especialmente a produção rural, permitindo-lhes angariar, em reciprocidade, enorme reputação, que se expressa na homenagem que a população edeiense lhe prestou ao denominar, com o nome Otávio Pires Martins, uma bela praça no centro da cidade.
O filho caçula de Otávio, Valdeci Pires de Oliveira, conhecido carinhosamente como “Deco”, falecido prematuramente em 17 de abril de 2015, foi Prefeito Municipal de Edeia, tendo realizado uma administração exitosa e muito bem avaliada pela população, que sentiu e lamentou a perda do ex-prefeito, produtor rural e cidadão Edeiense.
Com a evolução da sociedade brasileira e a consequente urbanização, os netos de Otávio mudaram para Goiânia e Brasília, mas sempre retornam ao convívio dos pais e avós na região de Arantina, Acreúna e Edéia, mantendo o vínculo à terra natal.
Rosana Pires Esteves – filha de Geny, neta de Otávio, residente em Brasília e Maria Eugênia Urzeda Peixoto – filha de Marilúcia “Fiota”, neta de Gety, bisneta de Otávio, residente em Goiânia, num fim de semana chuvoso, em 7 de novembro de 2015, degustavam com os tios, tias, primos e primas uma pamonhada na fazenda da tia Geny Pires Arantes – a sexta filha de Otávio, em Edéia.
O legado de Otávio Pires Martins, herdado pelos filhos, filhas, netos e netas, nos reafirma o ensinamento da prosperidade da família abençoada pelo trabalho e pela fé:
“Prosperidade não é somente bênçãos materiais, mas sim uma vida abundante” (João 10.10).
Goiânia, 20 de novembro de 2016.
(Texto elaborado por Osmar Pires Martins Júnior – sobrinho; aprovado por Marimerce de Fátima Ricardo Guilherme e Giovana Pires Arantes Fernandes – netas)
