A Família Pires tem sua origem na cidade de PIREU, PIREUS ou PIRAEUS (em grego moderno: Πειραιάς, Pireás, Piɾɛˈas), próxima a Atenas, na Grécia Antiga.

Esta hipótese sobre a origem dos Pires é formulada com base na designação toponímica, que associa o nome da pessoa ao seu ofício ou ao seu lugar de origem. Neste caso, PIRE’s menciona “os de PIRE”[1].

A onomatologia é o estudo linguístico dos nomes próprios; compreende várias subdivisões, como a toponímia, cujo termo vem do grego e significa “nome de lugar”, uma divisão onomástica que estuda os topônimos ou nomes próprios de lugares, da sua origem, etnia e evolução; é considerada uma parte da linguística, com fortes ligações com a história, arqueologia e a geografia (FAURE, 2004)[2].

A cidade de Pireus dista 7 km a sudoeste de Atenas, numa península calcária que oferece portos naturais explorados pelos atenienses, como o Porto de Pireus que, por 2500 anos, foi o principal do Mar Mediterrâneo.

Hoje é o principal porto grego, de onde saem os ferries e barcos para as ilhas gregas. A Autoridade Portuária de Pireus forma um vasto complexo portuário com escritórios de transporte, armazéns, bancos, estaleiros e negócios associados.

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Porto de Pireus, Grécia (Fonte: Wikimapia.org – CCBY-SA 3.0)

A COLONIZAÇÃO GREGA

Pireus, o porto antigo de Atenas, era usado tanto para atividade comercial como militar, permitindo que a cidade se transformasse numa das mais importantes do Mediterrâneo, desde a antiguidade até os dias contemporâneos.

Este porto contribuiu para a expansão da cultura grega pelos vários continentes, sobretudo na Europa, durante séculos da história da civilização ocidental.

A saga dos Pires começou no ano de 850, quando saíram do Porto de Pireus rumo à Espanha Mediterrânea, seguindo a rota da Colonização Grega pelo Mar Mediterrâneo.

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Colonização grega no período pelo Mar Mediterrâneo (Cartwright, 2014)[3]

A CHEGADA À ESPANHA

Em território espanhol, os Pires ou Peres contribuíram para o desenvolvimento do já milenar e pequeno Reino das Astúrias, que se converteu em comunidade de resistência a todo tipo de arbítrio praticado no Continente Europeu, e desde a ocupação bárbara à ditadura franquista.

O escritor gaúcho Duclece Pires[4] e a Professora aposentada da Universidade Estadual de Londrina – PR, Mestra e Doutora em Filologia e Linguística de Língua Portuguesa, Djalmira Sá Almeida[5], registram que VÍMARA PERES (Corunha, Galiza, c. 820 e Guimarães, 873), fidalgo do Reino de Afonso III das Astúrias, foi enviado, em meados do século IX, do nordeste da Península Ibérica para retomar dos mouros o Vale do Douro, com o objetivo de configurar uma linha de defesa para o pequeno reino cristão das Astúrias contra as invasões bárbaras.

EM TERRAS LUSITANAS

Vímara Peres é considerado o genearca[6] da Família Pires em Portugal. É filho de Pedro Theon das Astúrias (Astúrias, Espanha, c. 785 e 867) e pai do conde Lucídio Vimaranes (Guimarães, c. 850 e Guimarães, 922), etimologicamente, “filho de Vímara” e de Auvídia Vimaranes (c. 825 e 881).

O significado do nome de Vímara, que vem do germânico Vigmarr, o mesmo que “famoso na batalha” (vig = batalha e marr = famoso), se comprovou em terras lusitanas. Auxiliado pelos cavaleiros da região do Vale do Douro, Vímara Peres expulsou definitivamente os mouros, no ano de 868, retomou várias cidades na região de Trás-os-Montes, conhecida por Montes dos Pirineus, entre o Rio Minho e o Rio Douro, destacando-se a Cidade do Porto (Portus Cale).

Contando com a decisiva participação do seu filho Lucídio Vimaranes, fundou a cidade de Guimarães, cujo nome faz referência a Vimaranes. Vímara faleceu nesta cidade, em 873. Ele se tornou o primeiro duque do Condado de Portucale (região das cidades do Porto e de Guimarães), onde instituiu uma dinastia de condes que governou a região até 1071.

O Condado de Portucale se constituiu na base do  Condado Portucalense que, posteriormente, se tornou Reino de Portugal. Em 26 de julho de 1139, D. Afonso Henriques (Condado Portucalense, 25/07/1109 e Coimbra, 06/12/1185) declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão, após vencer a batalha de Ourique, contra os mouros, sendo, então, proclamado o primeiro Monarca Lusitano, conhecido como Afonso I “o Conquistador”.

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Estátua de Vímara Peres, genearca Pires, na Cidade do Porto (Fonte: Município do Porto – CC BY-NC-SA)

A atuação de Vímara Peres está consagrada na história lusitana como herói do estado português e se expressa na estátua gigantesca instalada na cidade do Porto, um dos monumentos históricos e culturais mais importantes do país, o que se depreende de um artigo extraído de um blog português que noticia sobre a cidade do Porto, ipsis litteris:

[…] Vímara Peres foi um fidalgo galego nascido em 820, finais do primeiro quartel do séc. IX.

Cristão da Reconquista foi cavaleiro e senhor da guerra, enviado por D. Afonso III das Astúrias ao vale do rio Douro, com a incumbência de expulsar dali os mouros, da linha natural cujo domínio os asturo-leoneses consideravam fundamental para a sua defesa.

A ele se ficou a dever, entre outras coisas, o repovoamento cristão das terras de entre Douro e Minho.

Ajudado pelos cavaleiros cristãos da região, conquistou Portucale aos mouros no ano de 868.

Portucale, cidade situada nas duas margens da foz do Douro – Portus, na direita, e Cale na esquerda – viria, muito mais tarde, a tornar-se cidades do Porto e Gaia.

Nesse mesmo ano, de 868, receberia Vímara Peres o título de Conde de Portucale, dando assim início a uma dinastia condal que duraria até ao ano de 1071.

O Condado de Portucale – não confundir com o Condado Portucalense, que lhe foi muito posterior – circunscrevia as terras que hoje constituem o distrito do Porto, melhor dizendo o Douro Litoral.

Entre as suas obras consta ainda a da fundação de um pequeno burgo fortificado, junto de Braga, a que deu o nome de Vimaranis – que então significava “terras de Vimara” – e haveria de se transformar na cidade de Guimarães e berço de Portugal.

Vímara Peres morreu no ano de 873, em Guimarães, contava apenas cinquenta e três anos de idade.

Quem passar junto da Sé do Porto pode admirar a monumental estátua que da sua imponente figura fez Barata Feyo em 1968, portanto, mil e cem anos depois da libertação do burgo portucalense do jugo muçulmano. […] (PORTUENSE, 2006)[7]

Pires ou Peres é um dos primeiros sobrenomes da história de Portugal. Em terras lusitanas os membros da Casa de PIRE ficaram sendo Pires, com a incorporação do apóstrofo ao nome da família.

Depois de se fixaram na região de Trás-os-Montes, no ano de 1.180, diversos Pires se consolidaram em Lisboa, onde Dom IGNÁCIO PIRES gerou uma nobre família, destacando-se o primogênito Dom VASCO FRANCISCO PIRES – Capitão das Chaves da Torre de Belém, Alcaide-Mor do Castelo de Lisboa, Fidalgo da Casa Real, Comendador da Ordem de Cristo e Oficial da Torre e Espanha.

HERÁLDICA E GENEALOGIA PIRES

Dom Vasco Francisco Pires teve o seu brasão de armas e título concedido, em 1493, pelo rei Dom João II (ZUQUETE, 1961, p. 430[8]). Dessa forma, este pode ser considerado o brasão de armas da Família Pires, um título característico dos finais da Idade Média.

A heráldica é a arte ou ciência cujo objeto é o estudo da origem, evolução e significado dos emblemas blasônicos, assim como a descrição e a criação de brasões de armas ou escudos.

De acordo com o historiador lusitano Beja Madeira[9], a heráldica tem sido utilizada em Portugal desde o século XII, conforme regulamento baixado pelo rei Dom Manuel I. Na heráldica dos países europeus, as armas eram títulos concedidos exclusivamente em nome do chefe de cada família, sendo transmitidos apenas por linha varonil e à descendência feminina direta.

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Armorial Lusitano (acima), de Afonso Eduardo Martins Zúquete; página 430, em reprodução fotográfica registrada por Eliomar Pires Martins e Ivoneide Escher Martins, durante visita ao Arquivo Nacional do Tombo, na Universidade de Lisboa (2016)
[…] Os historiadores foram-se apercebendo de que o armorial lusitano podia revestir-se de uma extrema utilidade nos mais variados campos, desde o sociológico ao artístico, passando pelo político, pelo jurídico, etc. Passou então a heráldica a ser quase universalmente aceite com uma ciência auxiliar da História.
[…] Paralelamente, foi desde os anos 40 que o estudo e investigação de nossa armaria medieval, isto é, das suas origens e do seu respectivo desenvolvimento e caracterização, se começou a desenvolver […]. (MADEIRA, 1992, p. 10)

A mencionada publicação do Ministério da Educação de Portugal registra um traço humanitário característico dos membros da Família Pires. No período medieval de conversão dos mouros ao cristianismo, em terras lusitanas, o fidalgo ÁLVARO PIRES DE TÁVORA batizou um mouro como membro da sua família:

[…] não podemos esquecer que um filho de Abrão Zacuro se batizou “de pé” e com o nome completo de seu padrinho, que era Álvaro Pires de Távora, senhor do Mogadouro e grande fidalgo da Corte do Venturoso […]. (MADEIRA, 1992, p. 75)

A CHEGADA AO BRASIL

O primeiro Pires a pisar o solo brasileiro foi o capitão LUÍS PIRES, que comandou um dos 13 navios da esquadra de PEDRO ÁLVARES CABRAL. A expedição, com uma tripulação de 1.500 homens, saiu do Tejo – Portugal, em 08 de março, e aportou em Porto Seguro – BA, em 22 de abril de 1500, no descobrimento do Brasil (DIAS, 1923, pp. 55, 150-152)[10].

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Luís Pires era sobrinho de Dom Vasco Francisco Pires, neto de Dom Ignácio Pires, da descendência de Vímara Peres, fundador da cidade do Porto, personagem histórico na formação do estado português e genearca dos Pires lusitanos.

As credenciais familiares e pessoais o qualificaram a comandar o navio n° 12 da Esquadra de Pedro Álvares Cabral, partícipe das epopeias humanitárias – a conquista do “mar largo”, no século XV, tão magnífica como a conquista do espaço, no século XX.

Cinco séculos depois, rememorar o heroísmo português da descoberta do Novo Mundo e do Brasil, em particular, significa perceber que:

[…] foram necessários cinco séculos para que o homem, mais uma vez, se lançasse ao desconhecido. O mar e o espaço – cada um no seu tempo – foram os desafios que motivaram o desenvolvimento tecnológico. No século XX o homem conquistou o espaço e a lua, a bordo de foguetes espaciais. O olhar para trás cria o espanto de compreender, hoje, a precariedade instrumental das conquistas daquele tempo […] (TOSTES, 2000, p. 1)[11]

A precariedade dos meios e instrumentos, utilizados na época das grandes navegações, implicou sacrifícios de vidas humanas, que devem ser lembradas e valorizadas. Uma delas é Luís Pires.

O PRIMEIRO MÁRTIR DA EPOPÉIA DO DESCOBRIMENTO

Luís Pires foi o primeiro grande mártir do descobrimento do Brasil. Cumpriu com bravura o seu ofício de comandante, ao aportar o navio n° 12 da esquadra de Pedro Álvares Cabral em Porto Seguro, em 22 de abril de 1500.  Na viagem de volta, a caminho de Calecute, na Índia, Luís Pires não logrou chegar ao destino.  Compondo-se a esquadra de treze navios, apenas seis chegaram a Calecute, e outros seis desapareceram no caminho.

Os navios comandados por Luís Pires, Bartolomeu Dias, Aires Gomes da Silva e Simão de Pina naufragaram na tempestade do Atlântico austral, em 24 de maio de 1500. O comandante Vasco de Ataíde perdeu-se nas paragens das ilhas de Cabo Verde. Nenhum dos náufragos retornou a Lisboa.

De acordo com Vera Lucia Bottrel Tostes, na obra citada, os navegadores portugueses que integraram a esquadra de Cabral foram escolhidos pela “nobreza de sangue” e pelos feitos realizados em outras navegações.

A autora assim descreve o brasão de armas de Luís Pires:

Vermelho, com cruz de ouro, cantonada de quatro flores-de-lis do mesmo; contrachefe ondado de prata e de azul; bordadura de ouro, carregada de oito aspas de vermelho.

Timbre: uma aspa de ouro, com uma flor-de-lis de vermelho entre as extremidades superiores.

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Brasão de armas de Luís Pires

O brasão de armas do comandante Luís Pires corresponde àquele concedido ao seu tio, Dom Vasco Francisco Pires, em 1493, pelo rei Dom João II.

Segundo Tostes (2000), as armas das famílias e linhagens dos comandantes da esquadra de Cabral foram transmitidas por herança aos descendentes, sem diferenças que indicassem introdução de novos ramos ou de novas gerações. Entrementes, a pesquisadora relativiza o critério da comprovação de ascendência nobre para a concessão de tal título, pelos reis portugueses, aos beneficiários de tão distinta honraria.

Incumbe aos familiares Pires e, por extensão, aos brasileiros, prestar a merecida homenagem aos navegadores, aos notáveis integrantes da Armada de Cabral e, especialmente, ao comandante Luís Pires – um mártir da epopeia descobrimentista, que levou à formação de novos espaços geográficos e à reconfiguração da geopolítica global.

Homens do timbre de Luís Pires, integrantes da fascinante jornada da Era dos Descobrimentos, contribuíram para os avanços científicos, tecnológicos e do conhecimento, assim como contribuíram para a inexorável evolução humanitária – a conquista do Novo Mundo, da era moderna e, particularmente, para o desenvolvimento de um grande, populoso e próspero país, o Brasil.

O JESUÍTA ANTÔNIO PIRES

Por sua vez, um filho de Dom Vasco Francisco Pires e primo de Luís Pires, o jesuíta ANTÔNIO PIRES, chegou ao Brasil em 1549, na comitiva do primeiro governador-geral do Estado do Brasil, Tomé de Souza, juntamente com os jesuítas Leonardo Nunes e João Aspicueta Navarro, da Companhia de Jesus, que era chefiada pelo padre Manuel da Nóbrega para cumprir a missão, determinada pelo rei Dom João III, de catequizar as populações nativas à religião católica (TOYSHIMA, BONDARENCO & COSTA, 2011)[12].

As pesquisadoras Ana Maria da Silva Toyshima e Priscila Freire Bondarenco, sob a orientação do professor doutor Célio Juvenal Costa, do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá/PR, realizaram estudos sobre o papel desempenhado pelos jesuítas na formação cultural e educacional do Brasil.

Os citados pesquisadores concluíram que os jesuítas contribuíram decisivamente para o processo civilizatório e educativo da população brasileira, nos seus primórdios, no século XVI, com a formação das aldeias e de novos costumes da disciplina, moral e fé cristã, baseados na cultura europeia.

No mesmo sentido, os professores Célio Juvenal Costa e Sezinando Luiz Menezes, no capítulo A educação colonial no Brasil, do livro FUNDAMENTOS HISTÓRICOS DA EDUCAÇÃO NO BRASIL, concluem que os jesuítas foram defensores veementes dos nativos e da economia colonial, muitas vezes em oposição aos interesses do colonizador português, verbis (grifamos):

[…] Como síntese do que foi apresentado aqui, podemos enunciar, com segurança, que a história do Brasil Colônia está ligada estreitamente à presença e atuação dos jesuítas, pois eles foram os principais responsáveis pela educação dos índios, dos negros escravos e das elites portuguesas. Durante esse longo período, as atitudes daqueles padres colidiram muitas vezes com os interesses dos portugueses abrasileirados, principalmente no que diz respeito ao tratamento dos nativos; no entanto, por inúmeras vezes também eles defenderam veementemente os interesses da economia colonial, como o padre Antonio Vieira, por exemplo. De qualquer forma, estudar a vida colonial brasileira, especialmente sua educação, é falar, necessariamente, dos padres da Companhia de Jesus. […] (COSTA & MENEZES, 2009, p. 45)[13]

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Ruínas da Igreja de São Miguel-RS, projetada pelos arquitetos jesuítas e construída pelos índios guaranis, com base no modelo da Igreja de Gesú, em Roma (Fonte: Wikipedia, foto de Halley Pacheco de Oliveira)

No século XVI, a Companhia de Jesus, sob a liderança do padre Antônio Vieira, intensificou a atuação dos jesuítas no resguardo e na defesa dos índios (MENDES JR., RONCARI & MARANHÃO, 1995)[14], assumindo grandes riscos que se concretizaram: primeiro, foram expulsos de São Paulo e, depois, do Brasil, pela própria Coroa, na pessoa do Marquês de Pombal. A motivação do Marquês de Pombal teria sido “acabar com aquela experiência socialista precoce” (RIBEIRO, 1995)[15].

Entrementes, a expulsão dos jesuítas do Brasil pelo Marquês de Pombal não logrou interromper a implantação das aldeias ou das missões e o consequente processo de promoção civilizatória que continuou a ocorrer no nosso país. Um exemplo, em Goiás, é a cidade de Mossâmedes, nos limites da Serra Dourada, originada da formação da comunidade Aldeia de São José de Mossâmedes, que teve início em 1.755, fundada para servir de habitação, trabalho e catequização e pacificação dos índios Acroás, Naundós e Caiapós por Damiana da Cunha, que sendo índia, neta do cacique da tribo Caiapó, atuou como interlocutora das tribos no processo de construção da atual cidade de Mossâmedes (CUNHA, 2004; RODRIGUES & OLIVEIRA, 2013)[16],[17].

Não se pretende formar uma opinião definitiva sobre o papel dos jesuítas no processo de colonização do Brasil. Longe disso, mesmo porque os pesquisadores especialistas se debruçam sobre o tema, sem a formação de um consenso:

[…] podem ser lembradas as cadeias históricas das interpretações sobre a prática de Manuel da Nóbrega feitas desde o século XVI. Quando são observadas, evidencia-se a dispersão contraditória dos valores que lhe atribuem significação e sentido. Os valores não são idênticos e, muitas vezes, são produzidos por agentes históricos situados em campos teórica e politicamente inimigos.

Assim, por exemplo, quando a significação da prática de Nóbrega é avaliada por padres da Companhia de Jesus, que pressupõem o mesmo Deus como causa e sentido da história, como José de Anchieta, no século XVI, Simão de Vasconcelos e Antônio Vieira, no XVII, e Serafim Leite, no século XX, louva-se na ação de Nóbrega toda a obra da Companhia como civilizatória, necessária, justa e caridosa.

Quando a avaliação é feita em campos inimigos, como acontece no feroz combate movido contra a Companhia de Jesus pelo Marquês de Pombal no século XVIII, a significação atribuída à prática de Nóbrega também se altera radicalmente.

Também as muitas interpretações feitas por historiadores, sociólogos, antropólogos, ideólogos e literatos dos séculos XIX e XX são polêmicas.

Evidenciando a inexistência de consenso, alinham-se à direita e à esquerda em posições católicas, liberais, ateias, agnósticas, deterministas, fascistas, anarquistas, marxistas, comunistas etc, constituindo um campo muito dividido onde se pode achar, por exemplo, desde a mais total apologia da prática da Companhia como obra civilizatória até a sua mais total condenação, como colonialismo responsável pela destruição das culturas indígenas. […] (HANSEN, 2010, p. 140)[18]

Inobstante essa falta de consenso, o autor supracitado reconhece a inquestionável contribuição dos jesuítas ao desenvolvimento educacional pátrio, sendo tal contribuição decisiva ao processo civilizatório brasileiro:

[…] Quanto às escolas de ler e escrever e as escolas de ofícios, Nóbrega é o primeiro agente promotor da educação ministrada pela Companhia no Estado do Brasil até meados do século XVIII. […]

O ensino ministrado nas escolas de ler e escrever civiliza o Estado do Brasil com os conceitos de “civilização” da política católica portuguesa. Reproduz as humanidades latinas, interpretando-as escolasticamente segundo os fins católicos da doutrina teológicopolítica do poder. Ou seja, não se dissocia dos processos da conquista da terra, reproduzindo nela a hierarquia do reino.

Assim, o ensino prevê e aplica um conjunto de normas, que definem os saberes a serem ensinados e condutas a serem inculcadas em crianças e jovens indígenas, mamelucos e portugueses, e um conjunto de práticas, que permitem a transmissão desses saberes e a incorporação de comportamentos, normas e práticas […] que então definem a humanidade da pessoa humana, a memória, a vontade e a inteligência, integrando os alunos socialmente como membros subordinados do Império português. […]

Quando Nóbrega morre, em outubro de 1570, o território do Estado do Brasil está pontilhado pelas aldeias e colégios jesuíticos. […] (HANSEN, 2010, p. 138-139)

Pelo exposto, o papel desempenhado pelo jesuíta Antonio Pires, ao integrar a Companhia de Jesus e contribuir efetivamente na formação educativa do Brasil Colônia, é revelador da continuidade da saga dos Pires, como demonstrado, desde a origem da Era da Civilização, na Grécia Antiga, até o Novo Mundo.

A inscrição dos nomes de Luiz Pires e Antônio Pires na rota da colonização portuguesa no Brasil – Bahia – Rio de Janeiro – São Paulo rumo aos diversos rincões do País, inclusive Goiás, é uma indicação segura da contribuição dos familiares Pires ao processo de desenvolvimento local, regional e nacional, dos tempos coloniais aos dias contemporâneos.

A CAPITANIA DE SÃO VICENTE

Diversos nomes dos familiares Pires estão presentes na história da Capitania de São Vicente, a primeira capitania hereditária estabelecida pela Coroa Portuguesa, em 1536, pelo rei Dom João III. Esta capitania compreendia, originalmente, São Vicente, Bertioga (SP), Cananéia/Ilha do Mel (PR),  Macaé (RJ) e Caraguatatuba (SP), visando incrementar o povoamento e defesa do território (LEME, 2004)[19].

São Vicente destacou-se entre as capitanias do sul pela relativa prosperidade no século XVI. A parte mais setentrional da capitania foi refundada, em 1567, como Capitania Real do Rio de Janeiro.

O primeiro donatário da Capitania de São Vicente foi o Fidalgo MARTIM AFFONSO DE SOUSA, no período de 1532 a 1571; que foi sucedido pelo filho PEDRO LOPES DE SOUSA, depois pelo bisneto Dom ÁLVARO DE PIRES DE CASTRO E SOUSA, o CONDE DE MONSANTO, donatário de cinquenta léguas de sesmaria, incluindo, nesta parte, São Vicente (sede), São Paulo e Santos, em decorrência de sentença proferida pelos oficiais da Câmara da Vila de São Vicente, em 20 de maio de 1615.

A referida sentença foi homologada por carta de el-rei Dom Filipe, passada em 10 de abril do ano de 1617, que deu posse ao Conde de Monsanto, nas ditas 50 léguas de sesmaria, de um total de 100 léguas antigamente concedidas a Martim Affonso de Sousa.

OS PIRES DE SÃO PAULO

Em princípios de 1531, JOÃO PIRES, o seu filho SALVADOR PIRES, casado com MARIA RODRIGUES e seu primo cavaleiro fidalgo JORGE PIRES, todos naturais da cidade do Porto, chegaram ao Brasil Colônia para instaurar um povoamento que, em 1.553, foi aclamado Vila de São Vicente, sendo João Pires o seu primeiro juiz ordinário.

[…] entre os nobres povoadores da Vila de S. Vicente, que a esta ilha chegaram com o fundador dela, o fidalgo Martim Affonso de Sousa, em princípios do ano 1531, vieram João Pires, “o Gago”, natural do Porto e seu primo Jorge Pires que era cavaleiro fidalgo.

João Pires trouxe consigo da cidade do Porto o filho Salvador Pires, o qual se casou com Maria Rodrigues, também natural do Porto, que veio para S. Vicente com seus irmãos, Francisca de Garcia Rodrigues e Izabel Velho. De S. Vicente passaram a Santo André da Borda do Campo e depois a S. Paulo.

João Pires, o Gago e seu filho Salvador Pires, com sua mulher Maria Rodrigues, ficaram nessa povoação, quando ela foi aclamada Vila, em 1553, em nome do donatário da capitania Martim Afonso de Sousa, sendo João Pires, o 1.º juiz ordinário desta vila. […] (SILVA LEME, 1903, pp. 03 a 47)[20]

SALVADOR PIRES, o Velho, filho de João Pires, o Gago, nasceu por volta de 1515, na cidade do Porto, em Portugal; faleceu em 1592 em seu sítio, situado acima da cachoeira Patuahy, no rio Tietê, em São Paulo.

Em 1573, Salvador Pires, o Velho, recebeu uma carta de sesmaria, concedida pelo governador da Capitania de São Vicente, Jerônimo Leitão, na qual consta que lhe foi dada meia légua de terras na tapera que tinha sido alojamento do índio Baibebá, partindo pelo campo de Piratininga, por ser o dito Pires lavrador potentado, que dava avultada soma de alqueires de trigo ao dízimo, além das colheitas de outros frutos todos os anos.

O registro acima reitera o caráter dos familiares Pires, desde tempos imemoriais, no trato correto das questões coletivas, sociais e religiosas.

Do seu casamento com Maria Rodrigues, conterrânea da cidade do Porto, Salvador Pires, o Velho, teve dois filhos, os brasileiros Manoel Pires e Salvador Pires.

SALVADOR PIRES, o Jovem, nasceu em 1540, na Vila de Santo André da Borda do Campo, SP. Após o falecimento da primeira esposa, casou com Mecia Fernandes (Mecia-Ussú), natural de São Paulo, neta da índia batizada pelo padre Anchieta com o nome de Antonia Rodrigues e bisneta de Piqueroby, de Hururay, chefe Tupiniquim (SILVA LEME, 1903).

Teve doze filhos, sendo quatro do primeiro matrimônio e oito do segundo: Beatriz Pires Brito, Diogo Pires, Amador Pires, Domingos Pires, Maria Pires, Catharina de Medeiros, Anna Pires de Medeiros, Izabel Fernandes Pires, capitão Salvador Pires de Medeiros, João Pires, Custodia Fernandes e Antonio Pires.

Salvador Pires, o Jovem, foi capitão-do-mato e bandeirante que participou das primeiras entradas para o sertão. Ocupou os principais cargos da governança, entre os quais, o de Procurador do Conselho, em 1563, e de Juiz Ordinário, em 1573. Era proprietário de grande plantação de uva, e produzia vinho em sua fazenda Ajuhá (na atual Freguesia do Ó). Suas lavouras eram mantidas com muitos trabalhadores, principalmente índios catequizados sob sua administração.

A filha de Salvador, Maria Pires, em 04/08/1590, casou-se com Bartholomeu Bueno de Ribeira, natural de Sevilla, Espanha. Desse casamento foi gerado o filho Francisco Bueno de Ribeira0, que se casou, em 1630, com Filippa Vaz e lhe deu o neto Bartholomeu Bueno da Silva, o 1º Anhanguera (RICHA, 2016)[21].

A CAPITANIA DA BAÍA DE TODOS OS SANTOS

O rei de Portugal criou, em 1548, o Governo-Geral do Estado do Brasil com a finalidade de apoiar os donatários das Capitanias e de centralizar a administração da Colônia. Para isso, a Coroa decidiu fundar a cidade do Salvador, para instaurar a sede do Governo-Geral na Capitania da Baía de Todos os Santos, transformando-a na primeira capitania real. Com essa missão, chegou à Bahia, em 1549, a comitiva do fidalgo TOMÉ  DE  SOUZA, Primeiro  Governador-Geral do Brasil, constituída, dentre outros, pelo seu filho lusitano GARCIA DE SOUZA D’ÁVILA (1528 – 1609), almoxarife real, que recebeu de doação do pai 14 léguas de sesmaria outorgadas a este pelo rei Dom Sebastião, localizadas no litoral norte baiano.

A partir de 1561, GARCIA D’ÁVILA construiu a Casa da Torre, um castelo-fortaleza no estilo arquitetônico medieval, sobre a colina de Tatuapara, na Praia do Forte, em Mata de São João/BA. A descendência de Garcia D’Ávila vinculou-se, mais tarde, com as gerações de Domingos Pires de Carvalho e de José Pires de Carvalho.

A Casa da Torre desempenhou papel de grande vulto na evolução territorial do Brasil, sendo pioneira na pecuária nordestina e na formação de inúmeras povoações. Além disso, foi importante Quartel General do Batalhão da Legião da Torre, protegendo as Vilas do Litoral, a Estrada Real e as Estradas das Boiadas, alojando as tropas coloniais para a defesa das terras brasileiras, tanto no interior como no seu litoral, contra a presença dos piratas franceses e holandeses e, depois, nas lutas pela Independência do Brasil.

OS PIRES DA BAHIA

O Imperador D. Pedro I, após a vitória das armas nacionais e a pacificação das Províncias, criou a Medalha da Independência, através do Decreto de 2 de julho de 1825 e condecorou três familiares Pires, descendentes de Garcia D’Ávila,  como expoentes do Exército na expulsão das tropas lusitanas.

Foram condecorados pelo imperador os irmãos da Casa da Torre, o então governador da Bahia Francisco Elesbão Pires de Carvalho e Albuquerque – Barão de Jaguaripe, o Coronel e Brigadeiro Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque – Visconde de Pirajá e o Coronel Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque – Visconde da Torre.

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Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, barão e depois visconde da Torre de Garcia D`Ávila (Fonte: casadatorre.org)

O Coronel ANTÔNIO JOAQUIM PIRES DE CARVALHO E ALBUQUERQUE é um herói das lutas pela independência do Brasil, conforme publicação comemorativa ao Primeiro Centenário da Independência Nacional, verbis:

[…] Coronel Antônio Joaquim Pires de Carvalho e Albuquerque, Barão e depois Visconde da Torre de Garcia D’Ávila, seguiu para o seu Castelo, onde organizou e de onde comandou a base de operações do exercito libertador, renovando os relevantíssimos serviços que na invasão holandesa prestara seu avô Francisco D’Ávila […]. (TAUNAY, 1922, pp. 153-159)[22].

A COLONIZAÇÃO

A genealogia Pires é uma fonte para o conhecimento da colonização dos diversos Estados brasileiros, especialmente Goiás. O bandeirante Francisco Bueno de Ribeira, filho de MARIA PIRES com o espanhol Bartholomeu Bueno de Ribeira, serviu honrosos cargos da governança em São Paulo e foi capitão de uma bandeira, durante a qual veio a falecer, em 1638.

Por sua vez, BARTOLOMEU BUENO DA SILVA, o 1º Anhanguera, filho do capitão Francisco Bueno de Ribeira com Filippa Vaz, neto de Maria Pires, nascido em 1637, em Santana de Parnaíba-SP, e falecido em data e local desconhecido, foi um notável sertanista que,

[…] em 1682, penetrou com numerosa bandeira nos sertões do gentio Goya, e descobriu ouro por observar que as mulheres dos índios se ornavam com folhetas daquele metal. Anteriormente a ele, porém sem resultado, diversos bandeirantes paulistas haviam explorado quase todo o sertão, hoje província de Goiás e Mato Grosso […]. Nessa exploração, levava em sua companhia um filho do mesmo nome, de idade de 12 anos, que voltou com seu pai a Parnaíba, tendo este apreendido e conquistado tantos índios, que com eles se poderia fazer uma vila, renunciando por essa ocasião a exploração de minas do precioso metal, mas tendo obtido a certeza de sua abundância pelo estratagema de lançar fogo a um vaso de aguardente em presença dos índios, que, aterrados, prometeram mostrar os lugares em que existia; e pelo que daí em diante o denominaram – Anhanguera – que significa Diabo Velho […]. (SILVA LEME, 1903, pp. 503-545)[23]

Bartolomeu Bueno da Silva, o 2º Anhanguera, bisneto de Maria Pires, nasceu em Santana de Paranaíba, em 1672 e faleceu pobre, em Vila Boa de Goiás, em 1740, a cidade que criou. Com a idade de apenas 12 anos já acompanhava o seu pai ao sertão e, em 1722, se apresentou ao Gov. Rodrigo Cesar de Menezes para explorar de novo os sertões de Goyaz. Organizou uma numerosa comitiva, que incluiu o sobrinho ANTONIO FERRAZ DE ARAÚJO, filho de MARIA PIRES BUENO, neto de Bartolomeu Bueno da Silva (pai) e bisneto de MARIA PIRES e de Bartholomeu Bueno de Ribeira.

A VIDA DOS ANHANGUERAS

A história dos bandeirantes no Brasil foi marcada por aspectos contraditórios de ascensão e queda, prestígio e ostracismo. Em Goiás, não foi diferente, a exemplo dos lendários sertanistas Bartolomeu Bueno da Silva, pai e filho, respectivamente: desbravador do sertão dos Goyazes e fundador da Vila Boa de Goyaz.

A vida do Anhanguera (“homem que faz fogo”, em tupi-guarani) e seus descendentes evidencia a distância abissal entre o imaginário e a realidade. O mito do bandeirante está presente em todos os espaços goianos – monumentos, praças, ruas e até na bandeira da capital do estado de Goiás, como um herói imbatível e audaz.

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Estátua de Bartolomeu Bueno da Silva, O Anhanguera, no Parque Trianon, Avenida Paulista, em São Paulo-SP. Escultor: Luís Brizzolara
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Estátua de Bartolomeu Bueno da Silva, O Anhanguera, na Praça dos Bandeirantes, em Goiânia-GO. Escultor: Armando Zago

Bartolomeu Bueno da Silva, 1º Anhanguera (pai), faz parte daqueles primeiros bandeirantes, movidos pelas dificuldades econômicas, pelo tino sertanista e pelo espírito de aventura. A Vila de São Paulo de Piratininga da Capitania de São Vicente, localizada geograficamente no centro de circulação fluvial e terrestre, se constituiu no foco das bandeiras que desbravaram o interior do Brasil, em especial, Goiás (GALLI, 2007)[24].

Entrementes, a vida dos Anhangueras difere do imaginário citado, sendo pouco conhecida e divulgada: o 1º morreu durante expedição aos sertões de Goyazes, em local desconhecido; quanto ao 2º Anhanguera, melhor sorte não lhe assistiu. É o que nos mostra o escritor Bento Jayme Fleury Curado, mestre em Letras e Linguística e Doutor em Geografia pela Universidade Federal de Goiás:

[…] Conforme documentação oficial, a partida da bandeira de Bartolomeu Bueno da Silva, de São Paulo, ocorreu em julho de 1722 e por volta de três anos permaneceu perambulando.

Enfrentaram peripécias várias, muita fome, pestes, revoltas internas e fugas. O empreendimento foi um fiasco e retornaram sem alcançar o objetivo, embora muita controvérsia haja sobre o dito assunto. […]

A partir de todas as riquezas encontradas no sertão de Goiás, o governador de São Paulo concedeu ao Bandeirante o cargo de capitão-mor da nova região. Era o mês de agosto de 1732, quase 280 anos passados.

Mas, a reputação do Bandeirante, conforme documentação, não foi muito avante, com sérias acusações […].

Em muitos documentos, é claramente chamado de corrupto. Com essas recorrentes denúncias o Conselho Ultramarino podou os direitos do Bandeirante. Suas competências foram fragmentadas em novas denominações e cargos, já em 1731. Em fevereiro de 1736, a Carta Régia com a criação de Vila Boa de Goiás foi expedida.

As criações de prédios, da estrutura da vila não passariam pelo critério do alcunhado fundador de Vila Boa. Esta ordem foi cumprida parcialmente pelo governador D. Antonio Luiz de Távora, que faleceu na viagem.

O governador que o sucedeu veio, então, efetivar a Carta Régia em 1739. A esse governador, D. Luís de Mascarenhas, corre a lenda de doação de uma arroba de ouro a Bartolomeu Bueno, tido por pobre e alquebrado, injustiçado, devido aos inúmeros serviços prestados à Coroa.

Também segue, depois, que os órgãos metropolitanos não aprovaram o procedimento, a família teria os bens sequestrados para a restituição do valor. Começa nesse momento a decadência dos descendentes do Bandeirante.

Embora seja visto como um mártir que morreu no Arraial da Barra, completamente esquecido e desprestigiado, Bartolomeu Bueno entrou para a história como o sonhador, capaz de lutar pelo enriquecimento, de si e da pátria, elevando o prestígio de seus descendentes, o que de fato, não ocorreu. Na verdade, os Anhangueras passaram, na esteira do tempo, por vexames e confiscos. […] (CURADO, 2012, p. 3)[25]

A CRÍTICA AOS BANDEIRANTES

A descoberta do ouro, o povoamento da Região Centro-Oeste e a guerra contra o indígena caracterizaram um processo de ocupação colonial e capitalista, com a expropriação das terras dos nativos, destruição dos recursos naturais, mediante política indigenista de manipulação e exploração dos índios “mansos” (Bororo) contra os índios “bravos” (Kaiapó), a serem exterminados.

Os fatos acima mencionados, ocorridos entre 1628 e 1641, caracterizaram o apogeu das atividades dos bandeirantes paulistas, que resolveram arremeter contra os aldeamentos jesuítas, em volta dos quais se agregavam centenas de indígenas sob a proteção missionária.

Ao contrário do aldeamento civilizatório promovido pelos jesuítas, o povoamento colonizador se deu pela formação de quartéis de tropas índias subjugadas para assegurar a mineração do ouro, a ocupação da terra e o domínio sobre a população indígena resistente, especialmente os Kaiapós.

Dentre os bandeirantes que prestaram serviços aos mineradores e à política oficial de colonização determinada pelos reis de Portugal e implantada pelos governadores do Brasil Colônia, estavam os sertanistas paulistas Antônio Pires de Campos, pai e filho:

[…] Antônio Pires de Campos, enquanto comandante militar, não tinha a função de catequizar, cristianizar ou fazer os índios perder sua cultura original e assimilar a dos colonizadores, embora isso fosse inevitável, previsto e até desejado. Seu papel imediato era outro: comandar um grupo de índios guerreiros, e que como tais deveriam permanecer sob o risco de ser substituídos, e lutar permanentemente contra os Kaiapó até livrar a Estrada do Anhangüera e os povoados de seus ataques, o que implicava destribalização e alteração da estrutura social tribal.[…] (RAVAGNANI, 1996, p. 237)[26]

A Companhia de Jesus desempenhou importante papel de contraposição à política oficial de colonização.  O jesuíta Antônio Pires e outros, como Leonardo Nunes, João Aspicueta Navarro, Affonso Braz, Vicente Rodriguez, Leonardo Nunes, coordenados pelos padres Manuel da Nóbrega e José de Anchieta, chegaram à Capitania da Bahia de Todos os Santos, em 1549 e à Capitania de São Vicente, em 1553, e deram começo às primeiras instituições escolares, que serviram como núcleos de povoamento civilizatório do Brasil Colônia.

Em contraste, os colonizadores se opuseram ao processo de povoamento dos jesuítas, pois se voltavam naturalmente para a cultura das terras que, sendo a fonte mais segura de riqueza, a partir da mão de obra escrava dos nativos, dispensaria métodos civilizatórios de colonização.

[…] Onde os braços para trabalharem nas grandes culturas, proporcionadas a vastidão das terras de que se viam de posse, por sesmarias? Não havia a procurá-los senão na classe dos vencidos, que eram tratados com desprezo pelos novos povoadores. Destes, uns que aceitaram pacificamente o jugo dos portugueses, trabalhavam impelidos pela fome por salário muito minguado; outros que não quiseram sujeitar-se e que tentaram à força de armas sustentar a sua independência, tiveram sorte mais cruel, porque vencidos nos combates, ou aprisionados nas matas onde procuravam refúgio, eram, sob a denominação de administrados reduzidos à escravidão, sendo obrigados a trabalhos muitas vezes a suas forças, sem salários e sujeitos a castigos corporais. […] (SILVA LEME, 1903, p. 134)[27]

A política oficial de colonização do Brasil era baseada no violento método:

[…] de dominação dos naturais do país, [que] além de ser contrário aos princípios da moral cristã, tornava-se um grande obstáculo à obra da catequese confiada ao zelo dos padres jesuítas, que se converteram em protetores dos índios, aconselhando-os a procederem como era de justiça; e estes procuravam os estabelecimentos de seus protetores para lhes prestarem seus serviços. […] (SILVA LEME, 1903, p. 134)

A rivalidade entre os padres jesuítas e os colonizadores deflagrou uma reação oficial à Companhia de Jesus. Esta, por sua vez, recebeu o apoio de JOÃO PIRES RODRIGUES, filho de Salvador Pires e Maria Rodrigues, que foi um nobre cidadão de São Paulo, influente e respeitado nas votações das assembleias do governo da Capitania de São Vicente:

[…] João Pires Rodrigues pôde vencer a odiosa lembrança com que os moradores de São Paulo repugnavam a instituição dos padres jesuítas, que tinham sido lançados do seu colégio para fora da Capitania de São Vicente em junho de 1640, e durou a sua expulsão até o ano de 1653, em que o respeito, amor e veneração de João Pires (declarado protetor dos jesuítas) mereceram aos moradores de São Paulo que recebessem aos padres com afabilidade, lavrando-se termo de transação e amigável composição entre todos, assim se conseguiu em 14 de maio de 1653. […] (SILVA LEME, 1903, p. 135)

EM CHÃO GOIANO

As Cartas de Sesmarias foram instituídas pela Lei das Sesmarias, em 1375, durante o processo de formação do Estado nacional português. O sistema das sesmarias tinha por objetivo permitir o avanço da agricultura em terras abandonadas ou incultas e impedir o exercício da propriedade rural improdutiva.

O regime fundiário de uso, ocupação, posse e domínio das terras no Brasil Colonial era regido pelo sistema das sesmarias, adaptado pela Coroa Portuguesa à instituição das capitanias hereditárias. Os reis de Portugal faziam a concessão das cartas de sesmaria aos colonos desbravadores das terras incultas, demarcadas pela unidade agrária das léguas de sesmaria (cada légua de sesmaria correspondia a 6.600 metros).

De acordo com Paniago (2011)[28], o descobrimento das terras brasileiras por agentes da Coroa foi interpretado no ordenamento jurídico português como forma de aquisição originária: assim, todas as terras do futuro território brasileiro foram designadas como públicas.

Posteriormente, as concessões realizadas por meio das cartas de sesmarias e várias posses de áreas públicas foram convertidas em propriedade privada. O instrumento probatório do domínio eram os Registros Paroquiais de Terras, instituídos por força do Regulamento para Execução da Lei nº 601/1850, aprovado pelo Decreto nº 1.318, de 30 de janeiro de 1854.

As cartas de sesmarias eram registradas sob a administração dos donatários das capitanias hereditárias, em caráter público e oficial, pelas autoridades competentes, junto às paróquias locais, que eram ligadas ao Estado.

O autor Paniago, na obra citada, destaca que o Estatuto das Terras Devolutas – Lei nº 601, de 18 de setembro de 1850, reproduziu o modelo fundiário colonial, mesmo após a Independente do Brasil. Este modelo, que perdurou até 1916, constituiu-se no fundamento das políticas de desenvolvimento social e econômico nacional.

Em terras goianas, o ancestral conhecido mais antigo dos Pires foi o Senhor QUINTILIANO PIRES DOS SANTOS, casado com Dona FRANCISCA VIEIRA DE MORAES, que desbravou extensas áreas de terras na região sudoeste de Goiás, em meados do século XIX, ainda sob a égide do regime jurídico das sesmarias do Brasil Colônia.

As terras adquiridas pelo Sr. Quintiliano foram registradas junto às paróquias locais e reconhecidas pelo Estado em caráter oficial. Os filhos do Sr. Quintiliano e D. Francisca – Francisco, Felícia e Manoel Pires de Moraes, deram continuidade ao trabalho desbravador dos pais e constituíram extensas propriedades rurais, perfazendo 60 mil alqueires de terras, em regime de criação extensiva de gado, permitindo o povoamento e o surgimento de importantes vilas, distritos e cidades do sudoeste do estado como Palmeiras de Goiás, Paraúna, Turvânia, Varjão, Indiara, Edéia, Acreúna e Turvelândia.

O desbravamento promovido pelo Sr. Quintiliano e D. Francisca, seus filhos Francisco, Letícia e Manoel Pires de Moraes, antecipou, em séculos, a aplicação do caráter social e econômico da propriedade da terra, sendo marcado pela responsabilidade socioambiental, pelo trato humano, educado, civilizado, construtivo e propositivo para com as pessoas e os interesses coletivos.

Mesmo em um tempo historicamente caracterizado pelo escravagismo, maus tratos, humilhação, perseguição e violência contra os nativos, negros e desfavorecidos, corriqueiramente praticados como métodos para a aquisição e domínio da propriedade da terra no Brasil-Colônia e na República Velha, não há qualquer nódoa de tal conduta desonrosa lançada contra os desbravadores Quintiliano, Francisco, Letícia e Manoel Pires de Moraes, orgulhos da Família Pires em Goiás.

Osmar Pires Martins Júnior
Filho de Amélia Pires Sardinha
Neto de Manoel Pires de Moraes

[1] SITE DA FAMÍLIA PIRES/RS. Uma breve narração da origem da família Pires e do brasão. Disponível em: ; acesso em: 2 dez. 2015

[2] FAURE, Roberto. Diccionario de nombres geográficos y étnicos del mundo. Madrid: Espasa, 2004. 682 p.

[3]CARTWRIGHT, M. Greek Colonization, 2014. Disponível em: .  Acesso: 05 out. 2016

[4]PIRES, Duclece. Os Provisórios: a Saga dos Pires Cerveira. Bento Gonçalves: Ed. do Autor, 1977.

[5]ALMEIDA, Djalmira Sá. Família Pires. Portal WebArtigos, 26 maio 2010. Disponível em: <http://www. webartigos.com/artigos/familia-pires/38787/#ixzz4PpXC2vcl>. Acesso em: 12 nov. 2016

[6] Genearca: segundo JAIME (2016), este termo designa o primeiro da família em uma região. Assim, Vímara Peres constitui referência para a definição dos ascendentes ou dos descendentes dos familiares Pires em terras lusitanas.

[7] PORTUENSE, César. Quem foi Vímara Peres. Blog Grande Porto/Portugal: 12 ago. 2006. Disponível em: . Acesso em: 08 nov. 2016.

[8] ZUQUETE, Afonso Eduarddo Martins de. Armorial Lusitano: Genealogia e Heráldica. Lisboa: Editorial ELE Enciclopédia, 1961. p. 430

[9] MADEIRA, Beja. Introdução ao Estudo da Heráldica. Vol. 127. Lisboa: Instituto de Cultura e Língua Portuguesa/Ministério da Educação, 1992.

[10] DIAS, Carlos Malheiro (Coord.). História da Colonização Portuguesa do Brasil - Edição Monumental Comemorativa do Primeiro Centenário da Independência do Brasil. V. II. Porto, Portugal: Litografia Nacional, 1923. pp. 55, 150 e 152, 464 p.

[11] TOSTES, Vera Lucia Bottrel. Bravos homens de outrora. Rev. Letras Culturas Lusófonas, Portugal: Instituto Camões, 8: 1-11, jan.-mar. 2000

[12] TOYSHIMA, Ana Maria da Silva; BONDARENCO, Priscila Freire; COSTA, Célio Juvenal. Educação Jesuítica no Brasil Colonial. In: REUNIÃO ANUAL DA SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA, 63, 2011. Anais... Goiânia: SBPC, 10 a 15 jul. 2011.

[13]ROSSI, Ednéia Regina; RODRIGUES, Elaine; NEVES, Fátima Maria (Orgs.). Fundamentos Históricos da Educação no Brasil. 2. ed. rev. e ampl. Maringá: Eduem, 2009. 166 p. Disponível em: <https://www.scribd.com/book/82432072/Livro-Fundamentos-Historicos-Da-Educacao-No-Brasil>. Acesso em: 12 out. 2016.

[14]MENDES Jr., Antonio; RONCARI, Luís; MARANHÃO, Ricardo. A Companhia de Jesus no Brasil. In: BRASIL HISTÓRIA. São Paulo: Digitalmídia, 1995.

[15]RIBEIRO Darcy. O Povo Brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

[16] CUNHA, Lincoln Ferreira da. Retrospectiva Histórico Social de Mossâmedes. Goiânia: Bandeirante, 2004.

[17] RODRIGUES, Rafael Ferreira; OLIVEIRA, Shirley Aparecida de. A Participação da Mulher na Gestão Pública Municipal. (Monografia Bacharelado Administração). Universidade Estadual de Goiás – Unidade Universitária. Sanclerlândia: UEG, 2013.

[18] HANSEN, João Adolfo. Manuel da Nóbrega. Recife: Fundação Joaquim Nabuco; Massangana, 2010. pp. 134-140, 180 p.)

[19] LEME, Pedro Taques Almeida Pais. História da Capitania de São Vicente. Brasília: Edições do Senado Federal, 2004. 150 p. Disponível em <http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/sf000043. pdf>. Acesso em: 02 dez. 2015.

[20] SILVA LEME, Luiz Gonzaga da. Genealogia Paulistana. v. II. São Paulo: Duprat & Comp., 1903. pp. 03 a 47. 549 p. Disponível em: . Acesso em: 02 dez. 2015.

[21]RICHA, Lênio Luiz. Genealogia Brasileira; Estado de São Paulo - Os Títulos Perdidos. Disponível em: . Acesso em: 03 nov. 2016.

[22] TAUNAY, Descragnolle Affonso. Grandes Vultos da Independência Brasileira: S. Paulo: Melhoramentos, 1922.

[23] SILVA LEME, Luiz Gonzaga da. Genealogia Paulistana. v. I. São Paulo: Duprat & Comp., 1903. pp. 503 a 545. 549 p. Disponível em: . Acesso em: 03 nov. 2016.

[24] GALLI, Ubirajara. Os Anhangueras em Goiás e Outras Histórias da Família. Goiânia: Kelps, 2007.

[25] CURADO, Bento A. A. Jayme Fleury. O triste epílogo dos Anhangueras. Santa Cruz de Goiás: s. ed., 2012. Disponível em: . Acesso em: 4 nov. 2016.

[26] RAVAGNANI, Oswaldo Martins. Os Primeiros Aldeamentos na Província de Goiás: Bororo e Kaiapó na Estrada do Anhangüera. Rev. Antropologia, São Paulo, USP, 39(1): 221-244, 1996.

[27] SILVA LEME, Luiz Gonzaga da. Genealogia Paulistana. v. II. São Paulo: Duprat & Comp., 1903. pp. 134 e 135. 549 p. Disponível em: . Acesso em: 02 dez. 2015.

[28] PANIAGO, Einstein Almeida Ferreira. Sesmarias, Registros Paroquiais e Políticas Expropriantes das Terras Devolutas em Goiás. Goiânia, R. Fac. Dir. UFG, 35(01): 99-130, jan./jun. 2011

236 comentários em “A Saga dos Pires

  1. Sou Neivo Pires, filho de Ermindo Pires, neto de José Pires. Meu avô veio de Portugal com 7 anos de idade. Em Guarani das Missões, no estado do Rio Grande do Sul-Brasil, tem uma colônia Portugues, todos oriundos de Portugal no século passado. Grande abraço pra todos!

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    1. Estou realizando uma pesquisa sobre o baixo Parnaía maranhense. como Os Pires tb estiveram por lá. Você teria alguma informação de como eles chegaram por lá?

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    2. olá o meu nome é Helder Pires, filho de José Pires, neto de José Augusto Pires de Vimioso Bragança , os irmãos do meu avô foram para o Brasil, talvez tenhamos ligação .

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  2. Gostaria de mais informações de quem puder ajudar “localidades” “datas” “nomes” de pessoas com o sobrenome PIRES no estado de Goiás,estou tentando fazer uma árvore genealógica da minha família meu avô se chamava José Pires de Barros e foi da região de Quirinópolis-GO qualquer informação mande um e-mail para :cardosopaixao@bol.com.br

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    1. Os avós paternos de minha esposa foram Manoel Joaquim Pires, casado com Maria das Dores Pires. Eram naturais de Patos de Minas, e vieram para Goiás.

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      1. Meu nome e Jorge Lucas Pires. Neto de Iraci Pires, bisneto de Orelina Pires. Tataraneto Crispim Pires de morais e a mãe de Crispim, Balbina Pires de morais.
        Todos originais da Bahia tendo fazendas e terras em Cotegipe em Passagem nova. Crendo eu ser terras de Donatários. Agora conhecendo mais sobre a família Pires vejo como fomos importantes para o Brasil.

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  3. Sou João Paulo de Souza Pires
    Filho de Valdeir Vanderlei Pires
    Q era filhos de Alcides Pires
    Q era filhos de Joaquim Reis Pires
    Se acaso alguém saiba de algum parentesco entre agente vamos nos comunicar
    Me procurem pelo face
    João Paulo de Souza Pires

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  4. Alguém sabe se João Pires Rodrigues era judeu sefardita. O filho, João Pires Rodrigues, o pai da pátria, aparece no Family Search com uma Estrela de Davi na bandeira. Obrigado

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  5. Boa noite.
    Muito interessante a história da nossa família.
    Gostaria muito de saber da chegada dos Pires no Rio Grande do Sul e assim descobrir mais sobre a família.
    Obrigado

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    1. Bom dia, sou Neivo Pires, Filho de Ermindo Pires, nascido aqui no Brasil e neto de José Pires, este, veio de Portugal. Meu pai mora em Guarani das Missões-RS.

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      1. Bom dia sou Anderson Luiz Pires, neto de Mario vieira PIRES NASCIDO EM LAGOA VERMELHA RS. O PAI DELE (MEU BISAVÔ) CHAMAVA-SE MARÇAL PIRES.

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  6. SOU ANDERSON LUIZ PIRES, FILHO DE APARECIDO VIEIRA PIRES E NETO DE MARIO VIEIRA PIRES. FIQUEI FELIZ EM SABE QUE O 1 PIRES A PISAR NO BRASIL FOI O CAPITÃO LUIS PIRES.

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  7. Não sou Pires, mas tenho uma trisavó chamada Messias Pires Sudário, nascida em Novo Horizonte (SP – Brasil), filha de José Messias Pires e Arminda Ribeiro de Castro. Caso alguém descenda deles, ficarei grato se me avisarem.

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  8. Sou Tereza Pires.
    Nasci em Minas, cidade de Baldim, vivi em Belo Horizonte uns 4 anos e depois vim para São Paulo.
    Meus pais contavam as estórias dos ascedentes de Portugal e Espanha.
    Minha avó paterna, Maria Noberta Pires e Materna Manoela Rodrigues Vieira. Sou descendentes dos portugueses que vieram de Guimarães.
    Que informações maravilhosas da Família Pires. Sinto honrada.
    Saudações a todos os Pires.

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  9. Olá! Ao realizar estudos Genealógicos sobre meus antepassados me separo com o sobrenome Pires. São eles:

    Domingos Felisberto Pires e Martha Pires, ambos da cidade de Tietê, São Paulo., Região de Laranjal Paulista.

    Caso alguém tenha encontrado alguma informação só entrar em contato por email
    christiansalgado.jus@gmail.com

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  10. Se alguém tiver alguma dica Me avise
    Meu meu bisavô : Francisco Pires Brasil
    Nasceu do Local : Mulungu – Ceará.
    Meu bisavós Infelizmente não tem fotos ?
    Meu Bisavõ : Joaquina Amélia Pires
    Nasceu do Local: Mulungu – Ceará
    Meu avô Manoel Pires Parente
    Nasceu do Local : Manus – Amazonas.

    Meu Trisavô : Marcolino Pires Brasil.
    Minha Trisavó Maria Delfina da Silva ( esposa)

    Alguém poderia Me ajudar nomes do Bisavôs .
    Meu email Joacipires@gmail.com

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  11. olá, estou procurando alguém que tenha algum parentesco com Manuel/Manoel Pires, de Trás-os-montes, e veio para o Rio de Janeiro. alguma informação?

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  12. Parabéns aos pesquisadores que conseguiram remontar a nossa história dos Pires desde suas origens. Tive, em 2018, o prazer de conhecer a aldeia de Adeganha – Torre de Moncorvo, que fica ao norte de Portugal, onde ainda tenho parentes que moram lá. Em 1891, meu avô, bisavô e mais dois tios avós chegaram ao Brasil, no porto do Rio de Janeiro, onde, em Niterói, existe uma grande concentração de Pires, que acredito alguns sejam da mesma origem que a minha, visto que há muitos anos atrás tive a oportunidade de conhecer alguns, mas devido o passar do tempo, o contato foi perdido. Sou nascido em Recife, onde praticamente toda nossa família reside.

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    1. Parabéns pelo conteúdo, história linda da origem da família Pires.
      Tenho orgulho por ter esse sobre nome, nossa família é numerosa, somos de SEABRA BAHIA, centro da Chapada diamantina.

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  13. Agradecemos essa maravilhosa reportagem, rica em informações, e conforme resultado através do laboratório Genera, meu DNA registra meus ancestrais na Espanha, parte ao norte da França, Portugal e Brasil. Sou Lucas Eliseu Pires, filho de Belarmino Francisco Pires e neto de a Bibiano Francisco Pires.

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  14. Gostaria de informações sobre os Pires do Rio Grande do Norte, meu avô esa Pires, não carrego o sobrenome dele ,mas gostaria de saber a origem A minha família.

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  15. MARAVILHOSA reportagem . Sou da família PIRES Camargo .,Única coisa que sabia que família Pires e família Camargo forram autora da primeira grande briga no Brazil que durou 20 anos em 1640 devido ao assassinato de Pedro Taques ,no sul da capital paulista, alguns pires refugiaram na cidade Ponto de encontro hoje ( COTIA) só teve fim na corte de PORTUGAL

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  16. Façam um teste de DNA para que possamos identificar mais pessoas da família Pires. Compre um kit de DNA da sua preferência e carregue o seu arquivo de DNA no site gratuito gedmatch.com. Assim podemos achar com mais certeza os nossos familiares mais próximos. WU5990037 esse é o número do meu kit de DNA na plataforma.

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  17. Boa noite!! Excelente pesquisa, sou Nara Berenice Pires de Arruda de Santa Maria RS, meu bisavô Amâncio Pires de Arruda, avo José Pires de Arruda, pai João Ivan Pires de Arruda, voltei as origens em setembro de 2019 estive em Porto Seguro e Cabrália na Bahia BA, depois fomos visitar Portugal várias cidades tais como; Lisboa Torre de Belém, Nau de Cabral e as origens Porto.

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  18. Meu nome e Jorge Lucas Pires. Neto de Iraci Pires, bisneto de Orelina Pires. Tataraneto Crispim Pires de morais e a mãe de Crispim, Balbina Pires de morais.
    Todos originais da Bahia tendo fazendas e terras em Cotegipe em Passagem nova. Crendo eu ser terras de Donatários. Agora conhecendo mais sobre a família Pires vejo como fomos importantes para o Brasil.

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  19. Sou tbm da família Pires, da região da Chapada Diamantina na Bahia. Segundo história da família eles vieram de Portugal. Eles se apagaram por várias regiões como Bahia, Goiás, Minas, São Paulo e etc …
    Se alguém ter alguma informação sobre os Pires da Bahia na Chapada Diamantina, me chama aí, por favor! Obrigada!
    Deus abençoe a todos!

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    1. Olá Vânia, sou Neta de Raulindo de Souza Pires, filho de Claudiomiro José Pires e Emília Souza Pires, são da região de Jussiape.
      Não tenho mais informações sobre.

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  20. Parabéns pelo site! Alguém possui informações sobre os Pires da região de Souza, Pombal, Coremas e Piancó, no estado da Paraíba? Meu bisavô era Pires de Souza (sobrenome). Obrigado!

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  21. Olá! É uma pena que o autor não faz menção aos Pires de Pernambuco. O bisavô de meu tataravô, Domingos Pires Ferreira, chegou em Recife no ano de 1725, com 6 anos de idade. Ele era de Trás-Os-Montes, de Bustelo, na Comarca de Chaves. Um de seus filhos seguiu para o Piauí e a família cresceu muito por lá. Quem se interessar há livro impresso e também em PDF: https://www.parentesco.com.br/pdf/volume6.pdf

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  22. Olá, belíssimo texto.
    Sou descendente dos Pires de Macaúbas na Bahia.

    Tenho arvore com até 6 gerações da família pires.
    O mais antigo se chamava José Pires da Silva, nascido em 1819.

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    1. Lemuel, o sobrenome “Pires” também é declarado pelos estudiosos como um patronímico, ou seja: “pires” é filho de Pedro; “rodrigues”, filho de Rodrigo; “duarte”, filho de Eduardo etc. Logo, os “pires” não descendem de uma única pessoa, mas de vários “pedros”.

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    2. Olá, sou Pedro Pires, neto de Waldir Silva Pires e bisneto de Joaquim Pires. Meu bisavô Joaquim Pires era original de Caculé Bahia, mais tarde se estabelecendo no interior do Paraná.

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  23. Olá gostei muito das informações desse site. Vocês fizeram um trabalho muito bonito.

    Encontrei essa página (https://piresgenealogy.com/manoel-pires-de-moraes/) do seu site ao procurar informações de João Martins Honostório, um dos filhos de José Martins Honostório (meu ancestral).

    Vocês teriam mais informações sobre o casal ANTÔNIA PIRES DE MORAES e JOÃO MARTINS HONOSTÓRIO da década de 1930?

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  24. Meu nome é Sérgio Pires,meu avô José Gomes Pires veio de Portugal,Trás os montes, no final da década de 50 início de 60 ,morou no RJ,fiquei sabendo que também em MG e SP,faleceu na década de 70,alguém tem parentesco com ele?

    meu e-mail: guedeseirao@gmail.com

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  25. Sou Isabella Ferreira Pires, bisneta de Bernardo José Pires e Lucília Afonso Pires ambos portugueses que residiram no Rio de Janeiro. Busco mais informações

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  26. Gostaria de ter mais informações sobre os Pires em Minas Gerais, me chamo Isadora Pires Medeiros Martins, meus bisavós se chamaram Manuel Pires de Siqueira e Maria Barbosa Pires, minha bisa era de Araguari-MG, meu bisavô já não tenho a informação, mas vieram pra Goiás na década de 50

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  27. Meu Bisavô por Nome: Francisco pires da Silva, morava no Oeste da Bahia, Foi morto numa emboscada numa viagem a cavalo na cidade de Corumbar de Goiás, entre o ano de 1936/ 1937 segunda História da Família pires, ater os Dias de Hoje nunca tivemos notícia do corpo, não sabemos se foi Sepultado, sabe-se que foi alvejado por arma de Fogo, Nesta época ele viajava Junto com seu sobrinho por nome: Filintro, de Poxoreu MT com Destino a Bahia, onde sua família se encontra ater os Dias de hoje. Na cidade de São Desidério BA

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  28. Sou Jorge Pires Martins, filho Alcino Pires Martins! meu avô chegou ao Brasil num navio cargueiro, dizem vindo Portugal ele era João Pires Martins nasceu 1874 e avó Victoria Maria do Sacramento, chegou pelo porto de Vitória cidade de Queimados/Viana no ES, como posso saber mais informações da descendência dos Pires?

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